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domingo, 20 de maio de 2012

Brado Retumbante





Recentemente, assistindo a um seminário promovido pela Secretaria da Fazenda, o palestrante disse algo interessante sobre o povo brasileiro; ele falou, citando alguém que não me recordo quem, que o brasileiro individualmente é muito criativo e que o americano médio é medíocre, mas como povo ocorre o contrário, o brasileiro é passivo e desinteressado enquanto o americano sabe cobrar seus direitos e se mobiliza. E parando para analisar, tive que concordar com ele. Sim, pois, apesar de termos nossa criatividade alardeada aos quatro ventos, onde ela está nos levando como nação? Se olharmos com cuidado veremos que os Estados Unidos, mesmo vivenciando uma crise sem precedentes, é uma nação articulada, que investe em seus cidadãos, que se orgulha de seus feitos, que dita normas e comportamentos ao mundo e que é respeitada e adorada pelos seus filhos.
Muito bem, somos criativos, vivemos com dificuldades, driblamos muitas vezes a falta de serviços básicos e continuamos hospitaleiros e alegres. Conseguimos fazer piada com nossas mazelas, exaltamos os humoristas que nos diverte caricaturando os contrassensos que o governo nos oferece, reclamamos de nossos políticos e da corrupção que assola o país e sangra os recursos públicos e só. Tudo fica exatamente no mesmo lugar e a maioria se tem oportunidade, age da mesma maneira. Somos individualistas, não olhamos os problemas à luz do coletivo. Perpetuamos um modelo político podre, conferimos poder àqueles que nos prejudicam e continuamos vivendo, como se não pudéssemos interferir e fôssemos apenas vítimas indefesas de um sistema imutável. Agora a pergunta que não quer calar. Por quê?
Por que elegemos tantas vezes nossos representantes e não acompanhamos o seu trabalho? Por que achamos que temos que compactuar com os erros de nossos eleitos, somente por termos confiado nosso voto a ele? Por que temos medo de cobrar nossos direitos e nos resignamos diante dos maus serviços? Por que insistimos em dar nosso voto a pessoas sabidamente incapacitadas para o cargo que pleiteiam, apenas por serem conhecidos, vizinhos, parentes, etc? Por que temos a memória tão curta e não nos lembramos de que as últimas mudanças do país foram fruto da mobilização social? Quem ainda se lembra das Diretas Já e dos caras pintadas? São páginas recentes de nossa história e que mudaram os rumos de nossa nação. E infelizmente já se passaram vinte anos da última vez que agimos como povo.
É urgente que se faça uma revolução de costumes e ideias. Só viveremos em um verdadeiro berço esplêndido se o povo brasileiro acordar, assumir sua parcela de responsabilidade e não fugir à luta. Somos gigantes por natureza sim, mas de nada adianta essa grandeza se não nos apossarmos de nossa força. E só há força com mobilização e só haverá mobilização quando quebrarmos a inércia que nos torna tão passivos diante do caos e do absurdo. Cobrar não é feio, se informar não é difícil, saber o que se passa ao seu redor é mais que um direito, é dever. De nada adianta CPIs, portais da transparência, leis de responsabilidade fiscal, de acesso à informação, da ficha limpa e o escambau se ninguém quer saber. De nada adianta reclamar, amaldiçoar o governo, se descabelar com mais um caso de corrupção, xingar a mãe do ministro/deputado/senador ou qualquer outro e não sair de seu conforto pra nada. Em tempos tecnológicos, bastam poucos cliques para que você tenha um mar de informações e inúmeras possibilidades de mobilização sem sequer sair de casa.
Portanto, sejamos impávidos guerreiros, nos transmutemos no povo heroico que ilustra nosso hino, façamos nosso brado retumbar e só então poderemos vivenciar o sonho intenso de uma pátria amada e gentil com seus filhos.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Sabedoria



As duas folhas da janela se abriram,
E o vento sábio soprou quarto adentro,
Um perfume de alecrim e café,
Um frescor do orvalho recém-formado,
Uma nova esperança no ar!
Segunda-feira.
Dia de começar tudo de novo??
Não, disse o vento...não sejas tão tolo,
É sua chance de recomeçar!!




domingo, 6 de maio de 2012

Ideal






Queremos paz, caminhamos por ela, pedimos por ela. Mas o que fazemos para tê-la em nossas vidas? Não basta querer, é preciso viver. Em cada dia, em cada lugar, em cada gesto. Antes de cobrar atitudes dos outros, é preciso avaliar nossas próprias atitudes. Somos gentis com as pessoas a nossa volta? Sabemos respeitar ideias, valores e o modo de vida alheio? Somos solidários com o sofrimento que nos cerca? Conseguimos identificar nossas próprias limitações? Somos capazes de pedir desculpas quando erramos? Acredito que a paz passa por todas estas questões.

Na maioria das vezes e em temas complexos como a paz, a sustentabilidade, a inclusão social; colocamos sempre a responsabilidade sobre os ombros de autoridades, do governo ou de instituições que, a nosso ver, não fazem seu papel. Concordo que muitas vezes as grandes ações dependam de grandes investimentos financeiros, de vontade política, de pessoas capacitadas para esse fim. E se eles não fazem nos resignamos frente aos problemas e quase nunca nos colocamos como parte dele, ou como provável solução. Lavamos nossas mãos e continuamos nossas vidas sem fazer uma reflexão sobre as nossas reais responsabilidades ante o caos. Esquecemos que fazemos parte dessa engrenagem e que são as pequenas ações e atitudes positivas que fazem a diferença. As consequências de nossos atos atinge quem está perto de nós, assim como somos vulneráveis às ações alheias. Ninguém é uma ilha, mas podemos e devemos ser pontes.

De nada adianta participarmos de manifestações a favor da paz, se em casa ou no trabalho agimos com tirania e violência. Pouco resolve cobrarmos coleta seletiva em nossa cidade, se continuamos a jogar o nosso lixo nas ruas. Não tem crédito quem critica o preconceito, a intolerância, a homofobia e continua incapaz de conviver de perto com o diferente. É chegada a hora de pararmos de lamentar pelo que não podemos mudar e assumirmos posturas mais retas perante os problemas que estão debaixo de nosso nariz. Pensar no todo e agir no que nos toca. Isso sim pode trazer mudanças. Nada convence mais que o exemplo. Discursos vazios podem até persuadir por um tempo, mas a máxima “faça o que eu falo e não o que eu faço” não tem vida longa.

Portanto, se deseja paz, seja de paz. Se almeja ética, seja ético. Não há outra forma. Os valores que queremos em nossas vidas precisam vir de nós, passar por nossa consciência e emoção e refletir em nossas ações. Então ouça, sinta, viva, faça. Seja a diferença!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Outono




E que venha o elegante outono,
Com seu céu de brigadeiro,
Com seu calor contido,
Num friozinho que acalora a alma,
Que tem cheiro de aconchego,
Deslumbrantes pores-do-sol,
Alegre melancolia!

sábado, 28 de abril de 2012

Lua plena




Não espere o plenilúnio
pra guardar em suas retinas
a imagem do céu perfeito.
Vá amando as estrelas,
e quando a grande lua surgir,
intensa e majestosa,
poderá ter em sua alma,
um único firmamento,
construído do seu jeito!































































































































































































sexta-feira, 27 de abril de 2012

O Último brinde!

Texto publicado no livro Cronicidades.




Ele, amigo prestativo e companheiro, ficara responsável por pegá-la e levá-la ao seu derradeiro e definitivo lar. E assim ele fez, por mais que aquela perda o magoasse, Carlos foi ao crematório pegar as cinzas de sua grande amiga Maria.
Ela que sempre fora alegre, de bem com a vida, naturalista, vegetariana, protetora da natureza e amante dos animais, estava ali em uma pequena caixinha. Todos os seus sonhos, seus feitos, seus amores, suas dores, enfim tudo que estava relacionado a ela estava ali, na sua frente, representados naquele momento por aquela urna repleta de pó.
Ele que é cético e se autodenomina ateu, ficou ali por alguns instantes, parado, perplexo diante das cinzas de sua querida amiga: “Mas é só isso? pensou. Ela tão escandalosamente marcante, com seu sorriso largo, sua graça explícita, coube nesta caixinha tão pequena, repleta de um pó tão cinza?”
A morte , por maior alívio que traga àqueles que sofrem, é sempre quase que impossível de aceitar, ainda mais assim, tão rápido, tão inesperado, ceifando uma vida tão tenra ainda.
Mas, ele tinha uma tarefa a cumprir. Levaria sua amiga de volta, ela que se aventurou em terras tão distantes, voltaria definitivamente, se misturando a terra onde nasceu.
O caminho era longo! Foram de ônibus, daqueles que param em todos os pontos para baldear os passageiros; eles também teriam que descer em uma cidade anterior para trocar de carro.
O calor estava escaldante, o sol da tarde estava a pino, ele se banhava em suor naquela rodoviária abafada. O ônibus ainda demoraria um pouco a partir; ele então se sentou à mesa de um bar, colocou sua amiga cuidadosamente ao seu lado na mesa e se lembrou o quanto ela gostava de viver! Pediu então ao garçom uma cerveja bem gelada e dois copos; encheu os copos com calma, brindou em homenagem a Maria e bebeu, matando a sede e a saudade, pela última vez em sua companhia!


domingo, 22 de abril de 2012

Ser mãe...




Mês de maio se aproximando. Dia das mães chegando e fico a pensar na responsabilidade daquelas que optaram por gerar e educar vidas. Daquelas que são as figuras mais marcantes na vida de alguém. Que me perdoem os pais, deveras importantes também, mas mãe é protagonista. É porto seguro, é aconchego, é segurança, é insubstituível. Ser mãe, ao contrário do que dizia Coelho Neto, não é padecer num paraíso, ou talvez seja, já que a maternidade traz consigo sentimentos ambíguos de dor e amor, de serenidade e culpa, de felicidade e melancolia, e todo esse paradoxo pode ser sofrimento.
Ser mãe é ter amor pra dar, condição sine qua non para desvendar esse universo mágico e complexo de cuidar de outra vida. Não acho que mãe nenhuma deve se anular por seus filhos, nem tampouco viver por eles. Mas a ausência de mãe é ferida aberta, sangrando. O abandono, a falta de afeto, maus tratos, má conduta, tudo isso vindo de mãe dói mais, machuca mais, amarga mais. Somos eternamente responsáveis por aqueles que geramos, educamos, que amamos incondicionalmente. Filho é para sempre, que não os tenha aquelas que só gostam de crianças, pois eles crescem, aborrecem, adolescem, envelhecem; e se apoderam da própria vida, nos deixando no incômodo papel de expectadoras.
Ser mãe não é fardo, nunca senti assim, mas é missão e das mais nobres. Imprimimos nossas digitais em nossos filhos, nem sempre na semelhança do corpo, mas na subjetividade da alma. As mães marcam! Boas ou más, de perto ou de longe, mansa ou brava, sábia ou inculta, feliz ou macambúzia, sadia ou doente, maluca ou sensata. As mães marcam e se reconhecem em seus filhos, mesmo naqueles que não o são de carne. E daí toda a nossa paúra de não acertar, de não conseguir, de deixar mágoas e sequelas naqueles a quem tão bem queremos.
Ser mãe é ter coração forte, é estar atenta, é compreender a hora certa de intervir ou de se retirar estrategicamente. Mãe é sempre lembrada nos momentos difíceis, pois às vezes somente um colo de mãe é capaz de nos salvar, de nos redimir, de confortar. Mãe é quem cuida, quem afaga, quem educa. Nem sempre a mãe de verdade é a que gerou; muitas vezes a verdadeira mãe é a tia, a avó, a vizinha, a madrinha, ou qualquer outra mulher (ou em raros casos um homem) que faça de alguém um filho.
Ser mãe é fazer sem esperar de volta, é apoiar, orientar, respeitar. Mas é também delimitar seu espaço, pois ninguém consegue ser só mãe 24 horas por dia; é preciso ser feliz, realizar sonhos, cumprir metas, ser mulher! As chances de ser uma boa mãe aumentam de acordo com sua realização como pessoa, pois quando os filhos já não forem mais tão dependentes e tomarem pra si as rédeas de sua existência, ainda assim nos reconheceremos. Mas nem sempre a coexistência de todas essas mulheres em nós é fácil, a preocupação e a culpa costumam ser nossas assíduas companheiras.
Ser mãe é uma delícia, é emocionante, é se aventurar num turbilhão de sensações sem manual de instrução, é se abrir ao novo, ao inesperado, ao inexequível. Ser mãe é contribuir com a ciranda da vida, é impregnar de história e estórias a nossa biografia.
Feliz Dia das Mães!