Solidão! Talvez a mais temida das sinas e na verdade somos todos sós. Nascemos e morremos sós, mesmo que estejamos rodeados de pessoas por todos os lados. Passamos a vida inteira convivendo e nos relacionando com pessoas, nos empenhamos em construir afetos, em compartilhar emoções, em tecer nossas redes de contatos e continuamos unos e sós. Por isso temos que gostar de conviver com nós mesmos. Precisamos nos amar e admirar, pois somente poderemos estender ao outro aquilo que já temos dentro de nós, senão seremos eternos insatisfeitos, procurando do lado de fora aquilo que não temos internamente.
E gostar de si mesmo, contrariando a lógica, nem sempre é fácil. O amor próprio também é aprendizado e dos mais viscerais. Claro que temos instintos, de sobrevivência, de autoproteção, mas transformar verdadeiramente esses instintos em autoestima não é tarefa banal, haja vista os milhares e milhares de consultórios dos profissionais que lidam com a intrigante e misteriosa mente humana. Que atire a primeira pedra quem nunca se sabotou, mesmo que num lapso temporário.
Muitas vezes olhamos a vida alheia e vemos tudo perfeito. Chegamos até a sentir uma pontinha de inveja, um desejo contido de ser o outro, estar em seu lugar, viver aquelas experiências que a nosso ver, nos faltam. Mas quem vê cara não vê alma e é aí que nos equivocamos enormemente. Podemos até sonhar com uma vida semelhante à de alguém, mas acredito piamente que cada um tem seu quinhão pra viver e que ninguém está no lugar errado. Estamos exatamente onde tínhamos que estar; talvez o como dependa mais de nós, de nossas ações e de nossa capacidade de nos gostar e de cuidar desse que deve sempre ser o nosso primeiro verdadeiro amor.
Não sou psicóloga nem tampouco especialista do comportamento humano, mas a vida ensina um pouco e com um bocadinho de observação podemos vislumbrar alguns comportamentos típicos de baixa autoestima. Uma excessiva preocupação com a aparência e com o julgamento alheio, uma constante necessidade de alardear os próprios feitos, o hábito de sempre achar um culpado pelos próprios erros; a eterna necessidade de agradar em demasia, muitas vezes se anulando pra isso, a irritante mania de contradizer elogios e..... muitos outros. Quem gosta do que vê no espelho, não se prende a detalhes. Quem se ama de verdade sabe reconhecer erros, sabe receber críticas, sabe delimitar seu espaço e sabe se admirar sem diminuir quem está ao seu redor.
Portanto, o amor-próprio é um bem que temos que perseguir por toda a vida. Pra alguns é mais fácil, pra outros um pouco mais sofrido, mas acredito que todo mundo deveria ao menos refletir sobre o assunto. Talvez tenhamos que quebrar paradigmas muito arraigados em nossa essência, ou talvez repensar sobre a importância que damos à opinião alheia sobre quem somos. Não tem receita pronta. É um caminho a percorrer e as direções são personalizadas. Mas uma coisa é certa, só vai chegar lá aquele que der o primeiro passo. Então, caminhemos!
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