Existir é um assombro, Adélia tem razão! E à medida que o tempo passa e a vida se mostra em todas as suas nuances, mais assombrosa me parece. Quando criança dava tratos à bola para tentar entender como o universo poderia ser infinito se tudo que conhecia tinha começo e fim, o infindo me parecia impossível. Lembro que ficava imaginando o depois; depois do planeta, depois da galáxia, depois da existência. Ainda me perturba essa ideia. Viveremos pra sempre, mesmo que em planos diferentes? Se o universo é infinito e a vida é eterna, porque somos tão cruelmente agarrados ao nosso limitado viver? Não consegui ainda as respostas. Há até algumas teorias científicas, religiosas, filosóficas. Mas nada ainda conseguiu aplacar em mim as indagações que carrego da infância. Sigo buscando.
Viver pode ser mágico, trágico, plácido. Por que alguns passam pela vida num silencioso caminhar ao passo que outros percorrem atalhos estrondosos? Por que uns carregam sorrisos numa vida de luta enquanto outros marejam sofrimentos e revoltas em ricas vidas? Por que uns se vão jovens demais, deixando apenas uma promessa de vida, enquanto outros permanecem perenes, centenários? Há de ter uma explicação! Perseguimos as elucidações, querendo explanações didáticas e irrefutáveis pra aplacar nossas dúvidas e nossa dificuldade em crer nas sutilezas da vida. Não tenho dúvidas, aqueles que possuem fé, em qualquer verdade, seguem mais tranquilos e confortados, tanto nas bonanças quanto nos dilúvios. Eu creio em justiça divina, num Deus de amor e misericórdia. ‘Há muito mais entre o céu e a Terra que supõe nossa vã filosofia’ já dizia Shakespeare, assino embaixo!
Sigamos o assombro da vida. Tão frágil por vezes, tão vigorosa e intensa por outras. Tão simples e clara; tão complexa e intrincada. Viver é óbvio e milagroso. E nós, seres humanos, que nos julgamos a mais perfeita criação da natureza (tão grandes que nos julgamos no direito de destruir todo o resto), ficamos insignificantes diante da vastidão do universo. Quem somos nós? O que viemos fazer aqui nesse pequeno planeta? “Existirmos, a que será que se destina?”
Enquanto não obtemos todas as respostas _ que talvez só nos serão dadas quando voltarmos a outro plano, de onde viemos eu creio, pra vivermos essa experiência limitada e cheia de armadilhas_ vamos tocando a vida. Tão enredados em nossa finitude, que na maioria do tempo, não divagamos sobre nossa pequenez e sobre a imensidão de tudo que nos cerca. Seguimos tão preocupados em garantir nossos finitos suprimentos e amealhar coisas que não levaremos dessa existência, que não refletimos sobre o real significado disso tudo.
Muitas vezes tenho a impressão de que não estamos no caminho certo. Não eu ou você, mas a humanidade. Inventamos tantas coisas, descobrimos tantos mistérios, ‘civilizamos’ tanto o mundo, criamos tantas regras e religiões, mas continuamos tão apegados a nossa subsistência e ao nosso umbigo quanto nossos ancestrais pré-históricos! Desconfio que, se estivéssemos um tantinho além, já tínhamos aprendido a lidar com os assombros dessa vida. Muito há o que se aprender! Come on?
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