Outro dia me deparei com essa frase de Freud: ‘Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?’, e esta me atingiu feito um raio e me fez pensar e refletir sobre a mania que temos de nos queixar apenas. De tudo e de todos. Em casa, no trabalho, no lazer. Jogamos ao vento clamores e queixumes, muitas vezes tolos, e nos apiedamos de nós mesmos, pagando de vítimas indefesas, não raro, de nossas próprias escolhas. Reclamar é mais fácil que tomar a decisão de mudar o que nos incomoda. Que atire a primeira pedra quem nunca se comportou assim! Eu não ouso.
Se olharmos bem lá no fundo, excetuando-se catástrofes naturais ou acasos trágicos, todas as desordens que vivemos são apenas consequências daquilo que fizemos antes, conscientes ou nem tanto, esperando ou não esses resultados. “A toda ação corresponde uma reação de igual (ou maior) intensidade e sentido contrário”, Terceira lei de Newton, lembra? Pois bem, a vida segue essa e outras leis e estamos todos a mercê delas, sem exceções.
Colhemos o que plantamos, simples assim. Mas olhar pra dentro é duro e causa dor. Modificar padrões de comportamento é difícil e requer coragem. Mais fácil é apontar culpados pelos nossos infortúnios, criar desculpas, desenterrar responsáveis por aquilo que não conseguimos mudar em nós mesmos. Claro que, em alguns casos, a vida pode provocar feridas difíceis de serem curadas; pessoas perversas existem e podem causar danos àqueles com quem convivem; erros alheios podem nos atingir. Mas, a partir do momento em que tomamos consciência do problema, a responsabilidade pela mudança é nossa. A única pessoa que podemos mudar é a nós mesmos. Ao outro podemos no máximo estender a mão, apontar caminhos, oferecer conforto, mas a mudança é de dentro pra fora, nunca o contrário.
Voltando à frase de Freud. Qual a nossa responsabilidade nessa bagunça toda? Estamos fazendo alguma coisa pra melhorar o mundo? Sabemos cumprir deveres ou apenas queremos ganhar os direitos no berro? Vivemos com retidão ou apenas reclamamos da bandalheira e não desperdiçamos oportunidades de levar alguma vantagem? Temos pesos e medidas iguais para nós e para os outros, ou nos sentimos sempre merecedores de uma chance a mais? Cuidamos de nosso entorno ou apenas apontamos culpados pela destruição do planeta? Educamos os nossos filhos? Damos bons exemplos aos jovens? Vivemos o que pregamos ou nos sentimos acima do bem e do mal?
Somos todos responsáveis pelas desordens das quais nos queixamos, e não são poucas. Sejam de ordem pessoal, perto de nós ou do outro lado do mundo, alguma coisa podemos fazer pra mudar o que nos desagrada e para deixar esse mundo um pouco melhor, menos cruel, mais aprazível. Talvez estejamos precisando parar, olhar, escutar e sentir mais. Mais empatia, humildade e compaixão. Menos dedos em riste e braços cruzados!

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