O
que te move na vida? O que faz com que você se levante todos os dias? Trabalho?
Família? Sonhos? Muitas vezes me pego pensando sobre o sentido de existir.
Aliás, esse pensamento é uma de minhas obsessões e hoje me deparei com um poema
da autora Michaela Schmaedel, que me trouxe novamente essa reflexão “Tem de
ter algo/mais nessa vida/do que trabalhar/doze horas por dia/depois sentar-se
no/beiral do abismo e/descansar do cansaço extremo”.
Estamos
inseridos em um tempo no qual valemos pelo que produzimos. Somos identificados
pela nossa atividade profissional. Em qualquer espaço que precisamos nos
apresentar, falamos nosso nome e o que fazemos para pagar os boletos. No mundo
capitalista só existimos se contribuímos para a máquina de moer gente funcionar
e à medida que diminuímos nossa produção, estaremos prontos para o descarte.
Se
somente a produção importa, quem somos nós para além de nossas atividades
profissionais? O que sobra de cada um de nós quando não podemos mais contribuir
com a roda da produção capitalista? O que fazemos com o tempo diário que nos
resta fora do trabalho? Essas são boas reflexões para tomarmos consciência sobre
onde colocamos a nossa energia e, principalmente, de onde estamos nessa
engrenagem que move o mundo (consciência de classe).
Nesse
cenário atual, as crianças e adolescentes são olhados como futuros
trabalhadores, por isso importam em alguma medida. Os adultos fazem a máquina
girar, dando sua força produtiva, muitas vezes sendo explorados, mal
remunerados e desvalorizados, mas importam, pois, sem braços não há produção.
Os velhos não importam, os portadores de deficiência não importam, os doentes
mentais não importam, os sem teto não importam.
Triste
isso. Mas é onde estamos, não somente como nação, mas como humanidade. O que
estamos fazendo aqui, nesse planeta; nos arvorando de seres superiores ao
restante da natureza, destruindo tudo ao nosso redor em nome de uma produção assombrosa,
olhando impassíveis semelhantes morrerem de fome, acumulando riquezas em torno
de uma minoria estúpida? Volto então aos versos de Michaela, o que há de mais
nessa vida para além de nossa utilidade?
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