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Meninas-mães!




Pobres meninas espertas, ousadas, descoladas, rebeldes. Muito cedo se entregam à vida. Agem com uma urgência insana. Atropelam o tempo, mergulham na inconsequência sentindo-se poderosas, protegidas, inatingíveis por qualquer mal. Não ouvem conselhos, são imunes a apelos ou informações. Elas se bastam; suas histórias serão diferentes, seus amores especiais.

Pobres meninas assustadas, revoltadas, inconformadas. Sentem-se perdidas, com medo, sozinhas. Carregam no ventre uma vida pulsando, crescendo, alheia aos problemas. Descobrem que não eram tão protegidas e nem seus amores tão especiais. Sofrem e fazem sofrer os que estão ao seu redor. Vivem um pesadelo, experimentam o desespero, às vezes o abandono e o preconceito. Perderam, no mínimo, a leveza da adolescência. A alegria fácil dá lugar a preocupações de gente grande.

Pobres meninas grávidas. Desfilam suas barrigas, incapazes ainda de dimensionar sua realidade. Por um momento se tornam o centro das atenções. As amigas adulam, acarinham, participam da gravidez, se preocupam, preparam o enxoval. Elas sentem seu corpo se transformar. A menina se faz mãe antes de ser mulher.

Pobres meninas-mãe. Ainda tão dependentes e já têm quem dependa delas. Cuidam de seus filhos como quem brinca de boneca. Enfeitam seus rebentos e os exibem como um troféu. As amigas, companheiras, confidentes, vêm, ajudam, pegam, brincam e vão embora passear, estudar, namorar; vão viver a adolescência da magia e das descobertas. Elas ficam entre fraldas, mamadeiras e uma enorme responsabilidade. Aprendem cedo demais que, neste caso, a mulher sempre carrega o fardo mais pesado.

Pobres meninas tristes! Estampam em seus rostos as marcas da mágoa. Perderam o brilho, deixaram seus sonhos, cresceram na marra. Os amores nem sempre perduram; a família nem sempre apóia, a história nem sempre tem fadas madrinhas. Mas o filho sempre precisa de amor, carinho, segurança, equilíbrio, roupas, comida.

Pobres meninas mulheres! Queimaram etapas importantes de suas vidas. Não viveram a adolescência pela pressa de serem adultas, não curtiram a maternidade por terem tão pouca idade e na vida adulta, reflexo do que já passaram, vão sempre carregar as marcas da inocência perdida, da tranquilidade roubada e da maturidade precoce.

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