É incrível a transformação que candidatos a qualquer cargo eletivo sofrem na época das eleições. Acontece em qualquer lugar, mas em cidades pequenas fica mais fácil de observarmos essa metamorfose eleitoral. Tornam-se extremamente simpáticos e demonstram um interesse na vida do próximo digno da Madre Teresa de Calcutá. Passam por nós na rua um milhão de vezes durante o ano e não nos enxerga, mas na época das eleições se tornam nosso amigo de infância.Exibem um sorriso largo nos lábios a qualquer hora do dia ou da noite. Em qualquer oportunidade querem saber de sua vida, seus problemas, sua família e por último de sua intenção de voto! Devem todos sofrer de bursite ao final da campanha, pois passam grande parte do tempo, com os braços erguidos, acenando vigorosamente para seus prováveis eleitores onde quer que os vejam. Falam bonito e sempre tem palavras oportunas a qualquer situação e a qualquer ambiente.Distribuem apertos de mãos e abraços calorosos a Deus e a todo mundo. Tornam-se experts em carregar crianças no colo e em adularem idosos, de preferência aqueles oriundos de famílias numerosas.Aqueles que já possuem um passado político, lembram a todos de seus feitos e esquecem todos os seus defeitos e problemas nas administrações anteriores; os que estão estreando na política lembram de todas as mazelas dos adversários e esquecem tudo de bom que fizeram, mas prometem fazer o que o povo precisa, seja lá o que for! O programa de governo? Isto é secundário, o povo precisa é de atenção individual! A estratégia é deixar a maior quantidade possível de gente com um enorme sentimento de gratidão! É um carreto aqui, uma carona ali, um empreguinho acolá para aquele mais reticente, ou somente uma palavra amiga numa hora de aflição são suficientes para convencer a maioria da população carente de educação, saúde, trabalho, respeito e consideração.
Infelizmente ainda vivemos esta realidade. Quem elege é a maioria, e ela ainda é manobrada por favores e falsas promessas. O político esperto é aquele que consegue, por quaisquer meios, convencer o povo de sua bondade e compaixão para com o próximo.
Seus ideais políticos, sua vontade política, sua vida pregressa, seus valores morais, sua capacidade intelectual e administrativa, sua origem e sua força de trabalho ficam delegados a segundo plano. Os conchavos que já fez, as incoerências, a incompetência repetida, a incapacidade de gerir a própria vida, a instabilidade emocional e econômica, a dependência de indicações a cargos públicos para trabalhar, a infidelidade partidária, as declarações infelizes, as suspeitas que geraram em administrações anteriores, tudo isso é apagado da memória coletiva com discursos demagógicos e inconsistentes, mas que ainda são capazes de convencer um povo despreparado para o exercício de sua cidadania.
Mas ainda sou otimista. Estamos aprendendo a viver uma democracia e todo aprendizado é feito de erros e acertos. Só espero que num futuro próximo, consigamos acertar mais que errar, pois o preço que pagamos por nossos erros está ficando caro demais!!!
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