Gosto de observar meus alunos fazendo provas. Cada um reage de uma forma, tem aqueles que se debruçam sobre o papel impedindo qualquer espiadela dos que querem um auxílio. Tem aqueles malandros que não estudam nada e se dão bem às custas dos outros; e há aqueles medianos, que não são bons o bastante para fazerem sozinhos sempre nem tão ruins que dependam só dos colegas.
Lembro-me bem de minhas provas de matemática no colégio, a pedra do meu sapato. Do alto de minha sabedoria, aos 14 anos, dava uma lida no caderno e julgava saber resolver todas aquelas equações e problemas, com todas as suas variantes. Quando recebia a dita cuja, tinha tremedeira, suava frio, descabelava, chorava e me dava mal, invariavelmente. Fui uma aluna medíocre em matemática.
Mas as provas escolares não servem de termômetro para as provas da vida. Minha sorte. Nem sempre os primeiros da classe serão os primeiros na vida, como os medíocres na escola não estão fadados a passarem a vida na mediocridade.
A vida cobra mais que a escola. A vida nos cobra sentimentos e atitudes, não apenas conhecimentos e comportamentos. A vida nos dá mais oportunidades de corrigir nossos erros, mas é mais implacável quando insistimos em errar. Na vida nunca podemos repetir o ano como na escola, o tempo não pára. Ele cicatriza feridas, mas as marcas ficarão para nos lembrar da dor que sentimos. Na vida é válido olhar ao redor. Não para meramente copiar, pois as provas nunca são iguais, cada qual têm as suas. Mas vale olhar o outro para aprender com sua vida, seus erros e seu exemplo. Na vida como na escola, precisamos nos preparar, mas para as provas da vida não temos ao alcance das mãos, um manual com conhecimentos pré-determinados. Aprendemos por tentativas e os pilares do nosso sucesso são os valores que trazemos de nossas raízes.
Da escola como da vida, podemos desistir; mas não devemos, pois ficaremos sempre inacabados, incompletos em nossa formação e com uma desagradável sensação de covardia. As provas da escola são elaboradas por outrem. Pessoas que naquele determinado assunto sabem mais que nós. Na vida nossas provas são feitas por nós mesmos. São conseqüências de pensamentos, comportamentos, desejos, atitudes, escolhas e palavras nossas. Não podemos nos eximir da responsabilidade sobre nossa história, nem tampouco transferi-la aos outros quer por comodismo ou medo.
Quase sempre nos sentimos tensos e apreensivos diante de provas, da vida ou da escola. Ficamos assim quando somos testados, julgados e avaliados. As provas mostram nossas dificuldades e limitações. Expõe nossas falhas, nos despe das máscaras que escondem nossa essência. Temos pavor de errar. Mais pavor temos de que outros vejam nossos erros, que nos julguem fracos ou incapazes. As provas da escola são previsíveis, quase sempre sabemos quando e podemos nos preparar. As provas da vida não têm data, nem hora, nem previsão; nem sempre podemos estar preparados.As provas da escola passam. Mesmo as ruins se tornam doces lembranças de juventude. As provas da vida não cessam nunca.
As provas, da vida ou da escola, são necessárias para crescermos. Passar por elas nos confere segurança e coragem. Que venham as provas! Hoje faria de bom grado uma prova de matemática.

Ju, Adorei o texto...Que venham as provas e com elas o aprendizado, a sabedoria e o amor pela vida sempre!!!
ResponderExcluirLu
QUE TEXTO, HEIN?!
ResponderExcluirA VIDA, É UM APRENDIZADO CONSTANTE...
AINDA BEM, QUE O BRASIL, PODE CONTAR COM PESSOAS COMO VOCÊ, FAZENDO PARTE DA EDUCAÇÃO.
PARABÉNS!!!