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Acho incrível o poder de transformação que os adolescentes têm ao mudarem de um ambiente para outro. Quando estão em casa cultivam o mal-humor, tripudiam sobre os irmãos mais novos, contestam os pais, se transformam em vítimas indefesas a cada ordem recebida, choram, se descabelam e se rebelam contra tudo e todos, raras vezes estão de bem com a vida. A metamorfose se dá assim que colocam o pé na rua e se encontram com a turma. O mal-humor se transforma em uma euforia galopante onde as gargalhadas são constantes e fáceis, eles se sentem fortes, capazes de enfrentar o mundo se preciso for. Falam alto, confabulam, contam vantagens, são só alegria.
Na escola ora estão tranqüilos, passivos, ora são agressivos e impertinentes. Ora se rebelam, ora são cordatos. Ora participam, ora estão em outro planeta. É lógico que existem as diferenças pessoais e culturais, mas, é interessante observar como os padrões de comportamento se repetem e atravessam gerações; basta lembrarmos de nossa adolescência.
É comum vermos jovens tímidos e quietos na escola se mostrarem líderes em festas e jogos ou ainda saber que aquele doce de criatura com os professores é intratável com os familiares. Aquela garota acanhada e sem graça, de repente cresce e aparece depois de arranjar o primeiro namorado; ou aquela outra, alegre e brincalhona, que entra em depressão profunda depois de se apaixonar perdidamente pelo professor de geografia. Tudo isso é normal e saudável desde que obedeça a limites aceitáveis.
Cabe a nós pais e educadores, estarmos por perto para percebermos quando a situação está fugindo ao controle. Percebermos quando o culto ao corpo perfeito pode prejudicar a saúde, quando os pilequinhos inocentes ficam mais freqüentes, quando aqueles novos “amigos” nunca freqüentam sua casa ou quando as portas dos armários ficam sempre trancadas e invioláveis. Por mais que eles falem que a sua mãe é a mais chata do mundo e o pai um ditador odiável, temos que ser sempre seu porto seguro, sem sermos coniventes com suas irresponsabilidades. Não podemos nos esquecer do nosso papel pois ninguém ocupará nosso lugar; portanto sejamos pais amigos, nunca somente mais um amigo. Valores, amor, carinho, segurança, respeito e limites dão subsídios para que, por mais turbulenta que seja a travessia, cheguem sãos e salvos na vida adulta. Somos dotados da mais fascinante forma de comunicação que é a fala. O diálogo e o exemplo são a chave do tesouro; são os curingas de um jogo que não pode ter adversários e sim companheiros lutando para construir, com sucesso, uma história de vida.
Só você pra escrever assim!
ResponderExcluirAplausos!!!
Beijos, Lila.