Durante a noite, de um mirante qualquer, observando em silêncio a cidade, vemos diversos pontos de luz que apagam os contornos dos prédios e casas transformando-se numa paisagem urbana comum.
Quando olhamos, vemos uma imagem estática que vai estar lá quantas vezes pararmos para admirá-la.Mas, todas as vezes que me deparo com uma visão desta tenho a sensação de que, mesmo involuntariamente, estamos assistindo a uma profusão de vidas que passam diante de nós com a mesma falta de cerimônia com que paramos para observá-las.
Por detrás de cada uma daquelas luzes, naquelas janelas, estão pessoas, suas famílias e suas histórias, seus amores e suas dores. Estão lá, sendo observadas por nós pessoas felizes, pessoas cansadas, realizadas, amadas ou não; pessoas que choram, pessoas que vibram, pessoas que gozam; pessoas sozinhas, pessoas morrendo, pessoas se amando, pessoas lutando; pessoas com medo da vida e da sorte, pessoas dormindo, pessoas insones, pessoas brigando, batendo e apanhando; pessoas nascendo e renascendo, pessoas gritando, pessoas caladas, pessoas rezando, pessoas crescendo, pessoas se acomodando; pessoas sorrindo, pessoas doentes, pessoas carentes de graça, de paz, de carinho; pessoas que fazem da vida uma arte e pessoas que simplesmente continuam vivendo.

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