Meu carro quebrou. A primeira sensação que tive ao saber que ficaria a pé foi de profundo desespero. Senti como se não pudesse me locomover. Ficar sem carro para uma sedentária convicta como eu, era o fim da picada. Depois voltei à razão e me dei conta que tenho duas pernas capazes de me levar aonde eu queria e como as distâncias são relativamente pequenas, poderia ir e voltar do trabalho andando, afinal seria por poucos dias.
Coincidentemente na mesma semana tinha uma consulta marcada com uma ginecologista, para tentar controlar os sintomas de uma TPM que insiste em me deixar intratável boa parte do mês. Minha expectativa é que ela teria um elixir mágico capaz de me devolver a alegria e o ânimo e ainda me apaziguar os nervos. Meus filhos e meu marido lhe seriam eternamente gratos. Tudo bem que ela me deu a receita de um remédio que pode ajudar a controlar a TPM, mas a principal recomendação foi: “ande, caminhe, se mexa!” No fundo todos sabem que atividades físicas são essenciais na manutenção da saúde, mas enquanto não ouvimos a recomendação de um médico não mudamos nossos hábitos.
Aproveitando o carro quebrado e somando à prescrição médica, fui trabalhar a pé. Saí cedo de casa para andar com tranqüilidade. Passei na farmácia para comprar o remédio e enquanto fazia a compra troquei dois dedos de prosa com a Silvinha e a Alvarina. No caminho perdi a conta de quantos “bom dia!” ouvi e respondi: A D.Maria, o Tião da cooperativa, a D.Aparecida, a Lindáurea! Mesmo com as pessoas que não conheço, trocava um desejo sincero de um bom dia! Senti claramente que havia naquelas palavras uma energia que ia e vinha. Entre um bom dia e outro, pude acompanhar os movimentos e a algazarra de um bando de maritacas a procura de alimento; no interior ainda somos brindados com esses presentes da natureza.
Naquela manhã, cheguei endorfinada ao trabalho e me senti mais calma e disposta. Naquela manhã senti que realmente teria um bom dia e que fora dos limites do carro, existe uma possibilidade real de termos alegrias simples, capazes de transformar radicalmente nossas vidas. Naquela manhã comecei a acreditar que não existem coincidências.

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