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Infelizmente não sabemos servir



Não é de hoje que a previdência social carrega a pecha de morosa e incompetente, suas filas já protagonizaram inúmeras denúncias e até mesmo vários quadros de humor. Mas, até então eu nunca tinha entrado em uma de suas agências. Há poucos dias tive que resolver uma questão junto ao INSS e me dirigi a um posto de atendimento próximo a minha cidade.
No caminho, fui tentando me dissuadir de todos os preconceitos que já carrego a respeito destas repartições, tal o número de casos de demora e desrespeito que ouvimos. Convenci-me que aguardaria com calma o meu atendimento.
Quando entrei no prédio, o guarda me indicou o lugar da fila.Havia umas doze pessoas na minha frente.Sentei-me e fiquei aguardando e observando.
O ambiente físico é caricatural. Móveis antigos com pilhas de pastas e papéis se amontoam junto a arquivos caquéticos de onde brotam folhas através de suas gavetas mal fechadas. O prédio é antigo sem muito conforto. Não tem nenhum vestígio da modernidade que a época inspira.
Os funcionários andam atônitos de um lado para o outro numa pressa que não convence. Os atendentes, com um ar entediado estampam em seus rostos a insatisfação de um trabalho repetitivo e pouco criativo. Eles mergulham num mar de certidões, protocolos, documentos, declarações numa burocracia irritante. Não sei se o trabalho os deixa acomodados ou só os acomodados conseguem fazer carreira num serviço tão monótono!Parece ser pré-requisito para o cargo uma profunda vocação para deixar pra amanhã o que se pode fazer agora.
Os computadores? A alta tecnologia da informática ainda não chegou lá.Os terminais são lentos, obsoletos e não raro, estão desconectados com a central.
Talvez, se os rombos da previdência fossem sanados, sobraria algum capital para investir na modernização das agências e na qualificação de pessoal.
Os segurados, sentados pacientemente na fila são idosos, gestantes, pessoas doentes, trabalhadores que aguardam o mínimo de boa vontade para terem seus direitos e benefícios atendidos. Não estão pedindo favores ou privilégios, mesmo porque os que o fazem, não enfrentam filas para conseguir tais benesses.
Depois de três horas de espera, bate-boca e chateação, meu firme propósito de mudar minha visão a respeito do INSS foi deixado de lado. Saí de lá, sem o papel que precisava, pois o único funcionário que se propôs a fazer o serviço, não conseguiu retirar a certidão na Internet porque o seu chefe, único detentor da senha específica para tal, desconhecia que a mesma não estava cadastrada.
Mas, justiça seja feita, exceções acontecem. Dois dias depois, recebi pelo correio, em casa, a certidão que precisava. Fiquei aliviada e feliz por resolver o meu problema e também por não perder a esperança de que um dia, todos os cidadãos serão prontamente atendidos em seus direitos pos funcionários atenciosos e eficientes.

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