Um crime brutal, com requintes de crueldade e sordidez, abalou a sociedade nos últimos dias. Um jogador de futebol famoso, idolatrado pelos torcedores do Flamengo, rico e com uma carreira promissora, jogou tudo fora ao protagonizar uma história de terror. Qual seria a motivação de tanta barbárie? Raiva? Ódio? Ou seria um sentimento de impunidade? Será que o goleiro Bruno, em algum momento, pensou que tudo isso acabaria com todas as suas conquistas? Será que ele se sentia acima do bem e do mal, por ser famoso e ter dinheiro? Vai saber! Mas é bem provável que sim, pois ninguém em sã consciência destrói a si mesmo por motivos tão banais. Nascido e criado no município de Ribeirão da Neves, região metropolitana de Belo Horizonte, conhecida pelo alto índice de violência; abandonado pelos pais ainda bebê; acostumado “a sair na mão” com mulheres; respondendo processo por agressão a garotas de programa em BH; cercado de “amigos” da pior espécie; o currículo de Bruno não é dos mais favoráveis. Mas torturar e mandar matar, num plano previamente arquitetado com seus capangas, demonstra que mais do que um homem violento, o ex-goleiro Bruno é um bandido frio e perigoso e como tal deve ser tratado.
Acredito que esse triste episódio pode lançar luz a um tema polêmico: a supervalorização de jogadores de futebol. Vemos milhares de crianças e jovens que sonham em serem estrelas do esporte mais popular do país. Pais que investem pesado em seus filhos bons de bola, projetando um futuro de regalias. Nessa Copa do Mundo, vimos um desfile de astros da bola, que alcançam patamares sociais inimagináveis aos trabalhadores comuns, mesmo que sejam muito competentes e reconhecidos. Mas somente dinheiro não é capaz de transformar caráter. Talvez até contribua para uma falsa idéia de onipotência.
Com raras exceções, a grande maioria dos craques brasileiros tem origem humilde, não estudaram e se expressam mal. Alguns conseguem reverter essa imagem, aproveitando bem as oportunidades oferecidas pelo futebol. Crescem profissionalmente e pessoalmente, tornando-se homens reconhecidos e respeitados pela sociedade. Outros não possuem estrutura para lidar com fama, poder e dinheiro em demasia. Pisam na bola e acabam manchando a imagem de ídolos que carregam. Acredito que a diferença vem do berço, dos valores aprendidos e vividos na infância. A família é a base de qualquer indivíduo e desvios de conduta, na maioria dos casos, podem ser explicados pelas relações familiares. E isso se pode transportar para qualquer carreira que seja capaz de dar notoriedade e muito dinheiro em um tempo relativamente curto: no mundo das celebridades está cheio de gente de índole duvidosa, que mais dia, menos dia, enfia o pé na jaca.
Outra questão a ser debatida é a tentativa da vítima Eliza Samudio, de se dar bem à custa de um filho de pai famoso e rico. Isso se vê aos montes, tanto no mundinho “Caras” quanto na vida real. Quem sabe, depois dessa tragédia, meninas que sonham em ser famosas a qualquer preço, atropelando até mesmo a própria dignidade, pensem melhor e se resguardem. A vida é mais que luxo, flashes e capas de revistas. Ironicamente, ela, Eliza, acabou ficando famosa, mas pagou com a vida pela conquista.
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