
Todos nós guardamos recordações de infância em um lugar especial de nossa memória. Temos sempre algum momento de ternura ou de magia, mesmo que a infância não tenha sido um mar de rosas. Ser criança é viver sem restrições ou preconceitos todas as emoções de forma intensa e pura. Ser criança deveria ser sinônimo de ser feliz.
Tive uma infância muito feliz, com carinho, respeito e limites. Algumas passagens ainda guardo intactas na memória, com riqueza de detalhes; em outras as lembranças se misturam a imagens de retratos ou casos contados ao longo do tempo. Mas o fato é que de alguma forma essas emoções marcaram a minha vida de uma maneira positiva.
Acredito ser esta a minha mais remota lembrança. Era meu aniversário de quatro anos e morávamos na casa de minha avó Zininha. A casa era muito grande, de dois andares. Tinha um grande quintal nos fundos, uma escadaria que levava até os quartos e acima do alpendre, na frente da casa, tinha um terraço. Moramos lá por aproximadamente um ano depois que voltamos do Amapá, onde eu e Cyntia nascemos. Era meu primeiro ano na escola e o primeiro aniversário em Belo Horizonte.
Naquele dia estava vestindo um macaquinho azul turquesa, com meia calça rendada branca e botas brancas. Foi a primeira vez que tive a sensação de vaidade. Sentia-me linda naquele modelito. Lembro exatamente da hora em que meu pai tirou uma foto minha com pose de mocinha.
Não bastasse todos os elogios da família, um tanto coruja, para eu me sentir o máximo, eis que surge na festa, minha professora, Eliana. Ela era Loura, alta, tinha cabelos longos e era muito bonita. Estava usando botas de salto alto e um macaquinho azul turquesa muito parecido com o meu. Foi o auge da importância! Estava no céu com o pé de fora, como diz a minha mãe. As feições da professora não me lembro mais, dos outros convidados também não, mas daquela roupa azul turquesa eu nunca mais esqueci.
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