Estamos assistindo a uma revolução nos costumes de nossos adolescentes. Esta revolução não se iniciou agora, mas vem se delineando desde a década de 60 com a liberação sexual da mulher, o advento da pílula anticoncepcional, o ingresso da mulher no mercado de trabalho e conseqüentemente a mudança na estrutura familiar. O que vemos hoje é o resultado dessas mudanças comportamentais que levaram a um questionamento de valores e princípios morais e éticos, numa confusão tal, que passamos do autoritarismo exacerbado dos pais á ditadura das vontades dos filhos.
Como podemos esperar adolescentes ajustados quando as crianças não aprendem noções claras de certo e errado? Vivemos hoje a cultura do tudo pode. Os pais têm uma enorme dificuldade de dizer não aos filhos temendo prejudicar sua formação, reprimi-los ou mesmo por comodidade. É mais fácil ceder do que travar batalhas diárias com os filhos em torno de pequenas questões. Essas negociações requerem tempo e paciência, coisas difíceis hoje em dia. Porém as crianças gritam por limites, precisam dele como de amor, carinho, respeito e segurança.
Hoje estamos diante de um número cada vez maior de adolescentes perdidos, completamente sem ideais e referências. Adolescentes e jovens que banalizaram sentimentos e emoções: que usam o próprio corpo de uma forma perigosa e inconseqüente. Adolescentes e jovens incapazes de respeitar regras básicas de convivência. Adolescentes que destratam os pais, os professores, os colegas com uma naturalidade apavorante. Jovens que cobram ferozmente seus direitos, ignorando seus deveres e os direitos dos outros.
Quando vemos incrédulos, jovens que ateiam fogo a um índio para se divertirem ou uma bela jovem que planeja a morte dos pais por motivos fúteis, nos chocamos e nos sentimos longe desses horrores, mas se prestarmos mais atenção, estamos sendo coniventes com os pequenos absurdos praticados por nossos adolescentes.
Precisamos urgentemente rever nossa postura de pais e educadores diante de tal realidade. O comportamento dos adolescentes é reflexo da educação que demos a eles e do ambiente no qual cresceram e esta responsabilidade não podemos transferir a ninguém.
Os limites serão impostos, senão pelo nosso amor, pela vida, pela truculência da polícia, pela impiedosa força das drogas, pelo silêncio mortal do vírus HIV ou pela chegada precoce de um filho que, por sua vez será educado por jovens que sequer direcionam a própria vida, formando um ciclo vicioso onde a desestrutura familiar é uma constante.
Vamos cuidar de nossas crianças, vesti-las como crianças e não como adultos em miniatura; deixar que brinquem como crianças, informá-las de uma maneira que elas entendam, conversar com elas, nos importar com suas vidas e, sobretudo amá-las a ponto de lhes dizer NÃO sem culpa e com a certeza de que, no futuro, a vida lhes dirá SIM.
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