Hoje às 15 horas, assistiremos a cerimônia de beatificação do Papa João Paulo II. Apesar de ser um Papa conservador, que defendeu a doutrina da Igreja a despeito de toda a modernidade, lembro-me com ternura do Papa da Paz. Há muito não sou uma praticante do catolicismo, e tenho muitas críticas à igreja. Mas sem fazer juízo de valor, a figura do Papa João Paulo II, me emociona. Me emocionei muito com sua visita à Belo Horizonte, em julho de 1980. Nunca vi tanta gente reunida em paz. Lembro-me que a avenida Afonso Pena era um oceano de fiéis, que entoaram palavras em coro homenageando o Papa Peregrino. Foram impressões fortes, que ainda hoje me tocam profundamente. Por ocasião de sua morte, em abril de 2005, acompanhei cada momento e novamente me emocionei muito.
Se Karol Wojtyla fez o milagre da cura, para ser beatificado, sinceramente não me impressiona. Acredito que seu milagre foi maior que isso. Apesar de sua posição radical em relação à assuntos como planejamento familiar, uso de preservativos como prevenção da AIDS, e outros, ele me parecia verdadeiro e defender o que acredita desperta o respeito até dos adversários." A benção João de Deus"!
O FIM DE UMA ERA ( Abril de 2005)
Tinha doze anos quando o Papa visitou o Brasil pela primeira vez. Lembro-me como se fosse hoje da multidão que se aglomerou para vê-lo na Praça Israel Pinheiro, hoje Praça do Papa e uma de suas frases ecoam em minha memória: “O Papa nunca mais vos esquecerá!”. E quem estava lá, em meio a dois milhões de pessoas, com certeza nunca esqueceu. João Paulo II é inesquecível e isso até seus adversários tem que admitir. Quem, como eu, teve o privilégio de acompanhar o seu pontificado, testemunhou um tempo importante da história da humanidade.
João Paulo II transcendeu instituições e foi com certeza um enviado especial de Deus. Teve como rebanho toda a humanidade e hoje, ao deixar este mundo, uniu a todos na mesma emoção.
Uma mistura de sentimentos marca a despedida ao Papa da paz. Não choramos apenas pela partida do homem frágil e doente, pois a morte, como ele próprio afirmava, é o retorno à casa do Pai; mas choramos por nossa orfandade, pela perda de sua proteção, pelas nossas limitações em seguir seu exemplo e pela apreensão de um mundo sem a sua presença.
Karol Wojtyla foi incansável em sua missão e superou os limites do sofrimento humano para pregar seus ideais. Acolheu todos os povos de todos os credos. Humanizou a figura do Sumo Pontífice e por isso foi elevado, por muitos, à dimensão de santo. Foi manso e pragmático, compreensivo e radical, amável e incisivo. Por mais que tenha sido inflexível em questões doutrinárias e morais, foi um incansável articulador político e defensor das causas humanitárias. Pregou a paz nos quatro cantos do planeta e repudiou todas as formas de opressão e talvez por ter sofrido na pele os horrores do nazismo e as agruras do comunismo, tenha sido intolerante em algum momento. Perdoou e pediu perdão pelos erros da Igreja. Exaltou o amor como única forma de encontrar a Deus. Foi polêmico, mas cumpriu obstinadamente sua missão. O Papa peregrino deixou além de tudo um exemplo de humildade, superação, esperança no homem e fé em Deus.
Agora só nos cabe rezar por sua alma com gratidão e respeito e esperar que a luz do Espírito Santo ilumine os cardeais que elegerão seu substituto. E que este possa conduzir a Igreja pelos caminhos da paz e do diálogo.

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