Pular para o conteúdo principal

Carmo da Mata


Cidadezinha simpática , aconchegante e bonita, com uma encantadora praça da matriz, uma das mais belas que já vi. Seus casarões antigos guardam memórias de gerações que fizeram a história da cidade. Suas novas casas abrigam vários filhos seus que se foram e retornaram para desfrutar do seu sossego.
Carmo da Mata! Cidade que vive a tradição do fogão à lenha, da lata do leite nas porteiras das fazendas, das quitandas feitas em casa; dos doces de goiaba, laranja e marmelo; das músicas tocando na igreja para chamar os fiéis para a missa; das festas religiosas com suas procissões, barraquinhas e solenidades.
Ao mesmo tempo, a cidade abraça a modernidade dos telefones celulares, da rádio, dos computadores, da Internet.
Carmo da Mata! Cidade com problemas como qualquer outra. A falta de emprego, de perspectiva, às vezes até de esperança. A má distribuição de renda, falta de moradia, de assistência médica, a pobreza e outros problemas sociais tão comuns no Brasil. Outros mais peculiares como a preocupação excessiva com a vida alheia, os boatos, a disputa política que atrasa o desenvolvimento da cidade; a intolerância de alguns frente à diversidade de idéias, crenças e modos de vida.
Carmo da Mata! Cidade Fértil de muitas crianças, às vezes, filhos de outras crianças. Cidade de juventude bonita, alguns, sem juízo, mas muitos são promessas de brilhantes futuros.
Carmo da Mata! Cidade que em uns desperta paixão, saudades; em outros tristeza, angústia, depende da história que cada um viveu aqui. Terra de filhos ilustres, escritores, juízes, artistas; e de filhos valentes que, em silêncio, trilham caminhos vitoriosos.
Carmo da Mata! Particularmente, cidade de boas lembranças de infância e adolescência; férias recheadas de aventuras e de liberdade, casa cheia, família reunida, os amigos, a Eskininha do Sorvete, os carnavais, os festivais, o Te Contei?, O Casarão, as rodas de samba, o Porão, a boatinha do clube, os bailes, os reveillons (o de 1987 em especial). São muitas e doces lembranças!
Carmo da Mata! Para mim hoje, uma opção de vida, meu espaço no mundo, cidade que eu escolhi e que me acolheu. Cidade em que encontrei o meu grande amor, onde fiz grandes amigos e amigas irmãs, onde escolhi para fixar minhas raízes, ver meus filhos crescerem e aprenderem também estimar e respeitar esse lugar.
Carmo da Mata! Cidade das essências, do granito, do café, do leite, das lojas, dos bares, das farmácias, das fundições. Cidade que, para prosperar, precisa urgente de ter em sua administração competência, respeito, solidariedade, ética, vontade política, grandeza, união e acima de tudo um profundo amor, capaz de lapidar a pedra bruta que tem potencial para brilhar.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Quem somos nós?

  O que te move na vida? O que faz com que você se levante todos os dias? Trabalho? Família? Sonhos? Muitas vezes me pego pensando sobre o sentido de existir. Aliás, esse pensamento é uma de minhas obsessões e hoje me deparei com um poema da autora Michaela Schmaedel, que me trouxe novamente essa reflexão “ Tem de ter algo/mais nessa vida/do que trabalhar/doze horas por dia/depois sentar-se no/beiral do abismo e/descansar do cansaço extremo ”. Estamos inseridos em um tempo no qual valemos pelo que produzimos. Somos identificados pela nossa atividade profissional. Em qualquer espaço que precisamos nos apresentar, falamos nosso nome e o que fazemos para pagar os boletos. No mundo capitalista só existimos se contribuímos para a máquina de moer gente funcionar e à medida que diminuímos nossa produção, estaremos prontos para o descarte. Se somente a produção importa, quem somos nós para além de nossas atividades profissionais? O que sobra de cada um de nós quando não podemos mais ...

“Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?”

Outro dia me deparei com essa frase de Freud: ‘Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?’, e esta me atingiu feito um raio e me fez pensar e refletir sobre a mania que temos de nos queixar apenas. De tudo e de todos. Em casa, no trabalho, no lazer. Jogamos ao vento clamores e queixumes, muitas vezes tolos, e nos apiedamos de nós mesmos, pagando de vítimas indefesas, não raro, de nossas próprias escolhas. Reclamar é mais fácil que tomar a decisão de mudar o que nos incomoda. Que atire a primeira pedra quem nunca se comportou assim! Eu não ouso. Se olharmos bem lá no fundo, excetuando-se catástrofes naturais ou acasos trágicos, todas as desordens que vivemos são apenas consequências daquilo que fizemos antes, conscientes ou nem tanto, esperando ou não esses resultados. “A toda ação corresponde uma reação de igual (ou maior) intensidade e sentido contrário”, Terceira lei de Newton, lembra? Pois bem, a vida segue essa e outras leis e estamos todos a mercê d...

Exaustos

    A vida segue, sempre segue. Trôpega, caótica, inundada de notícias aterrorizantes e atitudes questionáveis, para dizer o mínimo. Mas também segue criando e cultivando bálsamos para amenizar a dor que assola a todos, oxalá. Sim, essa dor é de todos nós, seres humanos viventes nesses tempos estranhos, dentro do planeta Terra. Ou deveria ser. Aqueles que não se sentem pertencentes ao momento estão enquadrados nas atitudes questionáveis citada acima. Estamos cansados, exaustos. Outro dia ouvi de um especialista que o nome disso é fadiga pandêmica e que está descrito nos anais da ciência. Muitas vezes sentimos que estamos sozinhos nesse sentimento, mas não, podemos sossegar, formamos uma multidão de exaustos, tristes, ansiosos, depressivos. Tantas companhias se não nos consola, pode nos amparar. Como diz um amigo querido, viver um momento histórico não é fácil. E falando em momento histórico, sempre digo que a humanidade dá três passos pra frente e dois pra trás. Fato. So...