No caminho lá da roça,
o tempo corre pra trás.
Sem barulho,
sem tumulto,
sem hora pra nos cobrar.
No caminho lá da roça,
a vida tem seus festejos.
A colheita que enche os olhos,
o pasto verdinho nas águas,
o ninho da maritaca,
o passeio da coruja,
que não vem trazer mau agouro.
No caminho lá da roça,
tem história pra contar.
O menino que pescou,
com as mãos um peixe enorme.
O cavalo impertinente,
que foge pra não trabalhar.
O banho de cachoeira,
que renova a energia.
No caminho lá da roça,
tem perigos da natureza.
A aranha que ferroa,
carrapatos e formigas.
O barro escorregadio,
que teima em nos derrubar.
A cobra, Deus que me livre,
tenho medo só de pensar!
No caminho lá da roça,
tem ternura e alegria.
A ópera mais que perfeita,
das aves, dos sapos e grilos.
O comer bem preparado,
no velho fogão à lenha.
O pôr do sol alaranjado,
o beijo apaixonado,
a viola reconfortante.
No caminho lá da roça,
tem trabalho que não finda.
Sem descanso, nem refresco,
o lavor é força bruta, e
pra quem tira o sustento,
da terra e de nada mais,
muitas vezes é sofrimento.
No caminho lá da roça,
sempre tem um pé de flor.
E quando ficar bem cansada,
dessa vida de mil coisas fazer.
Vou ter pra onde correr,
juntinho com meu amor!
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