Meus poemas não datarei,
conselhos de Quintana.
Mas a quem os dedicarei?
Aos meus filhos, meus vizinhos?
Aos amigos, meus sobrinhos?
Meus poemas não datarei,
e os dedicarei com ardor,
como em letras desenhadas,
no verso de velhos retratos,
àquele alguém que a eles amar,
na inextinguível inexatidão,
de sentimentos decifrar!
Data e Dedicatória
Mário Quintana
Teus poemas, não os dates nunca... um poema
Não pertence ao Tempo...Em seu país estranho,
Se existe hora, é sempre a hora extrema
Quando o anjo Azrael nos estende ao sedento
Lábio o cálice inextinguível...
Um poema é de sempre, Poeta:
O que tu fazes hoje é o mesmo poema
Que fizeste em menino,
É o mesmo que,
Depois que tu te fores
Alguém lerá baixinho e comovidamente,
A vivê-lo de novo...
A esse alguém,
Que talvez nem tenha ainda nascido,
Dedica, pois, teus poemas.
Não os dates, porém;
As almas não entendem disso...
De: Baú dos Espantos

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