De vez em quando,
tenho saudades,
daquilo que não vivi:
Mulheres muito elegantes,
de espartilho e saia rodada.
Namoro só da janela,
cartas de amor e suspiros.
Do natal caindo neve,
lá nos Alpes suíços.
De viver a beira-mar,
da infância na fazenda,
de uma noite em Paris.
Certas vezes, sinto saudades,
de coisas que nunca vi:
Um trigal todo dourado,
meu avô veterinário.
De um campo de tulipas,
um castelo medieval,
uma nave espacial.
As vezes me dói a saudade,
das mulheres que nunca fui:
A bailarina de ponta,
rodopiando num solo.
A atleta destemida,
que salva seu time uma vez.
A ativista política, que
lutou na ditadura.
A esposa e mãe perfeita,
sempre disponível aos seus.
A garota popular,
que não conhece a timidez.
Mas essas saudades são vãs,
pois o que me traz a certeza,
que tenho felicidade,
são as lembranças que trago,
do que vivi de verdade!

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