Rua Congonhas trezentos e quinze,
apartamento duzentos e dois.
Endereço da minha infância.
Brincadeiras de casinha,
que não acabavam nunca.
Susis, bonecas de papel pra vestir,
Nara Leão e seu circo, Chico Buarque e a banda.
Parque Municipal no domingo,
pra ver os cães adestrados.
Escalada no Mangabeiras,
descida em ponto morto,
dor de barriga no tobogã,
soda limonada pra refrescar.
Coelho, periquito, batizado de boneca.
Festa com papel prateado,
vizinho que dava remédio.
Tarde de cientista,
saltos de bailarina,
sala só pra brincar, sem sofá.
Quadrinhos de papelão
o galo no Mineirão.
Fagner aos berros,
no adolescente de cima.
Aprendiz de cozinheira,
quinze anos, vestibular,
cara emburrada, namorado classe a.
Rampa pra jogar bola,
e escorregar no sabão.
Quintal que virava tenda,
virava palco, tinha canteiro.
Rua Congonhas trezentos e quinze,
apartamento duzentos e dois.
Mais que um endereço,
era o universo inteiro!

Comentários
Postar um comentário
Leitores, deixem seus comentários e impressões: