Quem acha que o dia está menor do que há alguns anos, levanta a mão! Acredito que se estivesse em um ambiente lotado, a maioria concordaria comigo. O tempo está voando! Dizemos e ouvimos isso a toda hora. O dia não dá pra nada, o ano mal começou e já avistamos novembro, os meses passam por nós sem nos darmos conta deles. Lembro-me que não foi sempre assim. O que está acontecendo então? Por que essa sensação de falta de tempo está virando unanimidade?
Lembro-me do tempo em que nos correspondíamos por cartas e esperávamos tranqüilos pela resposta, que podia demorar semanas; hoje se um email demora alguns minutos para chegar ficamos inquietos. Antes tirávamos fotos com nossa câmera e esperávamos algum tempo para que o filme acabasse e elas fossem reveladas; agora podemos fotografar e apagar, refazer, publicar pro mundo em algumas horas, quando muito. As notícias nos chegam instantaneamente, em tempo real, e se não sabemos de tudo que acontece nos sentimos desatualizados. Temos que correr! Correr para o trabalho, correr do engarrafamento, correr para se informar, correr para garantir o futuro, correr para esquecer o passado, correr, correr, correr... Contra o tempo!
Não quero ser nostálgica e imputar toda a culpa ao mundo tecnológico, mas acredito que ele tenha sim uma grande parcela de responsabilidade sobre nossa ansiedade generalizada. Tudo que é moderno precisa ser rápido, e só é bom o que é moderno. Nossa vida está acelerada. O mundo está acelerado. E os resultados dessa correria toda podem ser colhidos nos consultórios médicos. Doenças que antes surgiam na terceira idade, estão aparecendo na segunda e até na primeira. Jovens hipertensos, síndromes do pânico, depressão. Vítimas de um tempo “fast”.
Talvez esteja na hora de aderirmos ao movimento “slow”, filosofia criada e difundida na Europa para frear o processo de americanização na década de 80. Desacelerar, por o pé no freio e desfrutar com mais tranqüilidade da vida. Adequar o tempo ao nosso ritmo e não nos submetermos insanamente aos caprichos da tecnologia. Quem sabe assim nosso dia volta a ter 24 horas?
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