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Statu quo






O mundo das letras é um mundo mágico. Quando conseguimos traduzir sentimentos em palavras, mais que emocionar e tocar o outro, aprendemos a nos conhecer. Posso afirmar, sem chance de errar, que depois que transformei uma facilidade em hábito, encontrei muito em mim, que não era capaz de enxergar. Marquei um encontro comigo mesmo, que se renova a cada novo texto, seja prosa ou verso, público ou guardado. E assim pretendo continuar, escrevendo, emitindo percepções e opiniões, desbravando esse universo infinito de possibilidades, onde as palavras desnudam a alma. E a minha alma está desnuda para quem souber percebê-la nas palavras ditas.
Sou uma mulher tímida, mas sou determinada quando acredito na causa. Sempre me senti melhor em ambientes íntimos, com pouca gente. Prefiro muitas vezes uma tarde de domingo entre amigos que uma festa concorrida. Sou contida, procuro ser discreta, não me permito perder o controle, não aprendi me jogar sem rede de proteção. Mas quando escrevo posso ser ousada. Quando busco palavras para um novo texto, não tenho timidez, nem tampouco receio de contrariar quem quer que seja, escrevo absolutamente o que penso e o que sinto, sem amarras. E há algum tempo venho colhendo os frutos dessa entrega. Há aqueles que admiram o trabalho, há os que reconhecem o dom, há os que concordam com as opiniões, há os que compartilham impressões, há os que discutem ideias, há os que não concordam com a posição, mas todos têm em comum o respeito ao espaço conquistado, e isso é o que vale, e por isso sou grata.
Escrever para mim hoje é mais do que um desejo, é uma necessidade vital e sem isso não serei inteira. Mesmo que em alguns momentos, mais turbulentos ou mais introspectivos, a escrita seja sofrida (ou sofrível), a sua ausência é insuportável. Não importa o gênero, escrever é minha melhor forma de existir.

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