Todos nós, brasileiros e brasileiras, fomos surpreendidos no sábado, dia 29 de outubro, pela notícia do câncer de laringe que acomete nosso ex-presidente Lula. Solidarizo-me com ele e sua família, pois o câncer ainda é uma doença que carrega um peso muito grande e causa certo terror e incerteza, apesar de hoje ser uma doença curável, na grande maioria dos casos. Mas o fato me fez refletir.
Primeiro que ninguém está a salvo, nem celebridades, nem poderosos; estamos todos vulneráveis e o que nos coloca um pouco mais protegidos, são os cuidados que temos com nossa saúde. Somente bons hábitos nos fazem distanciar dessa probabilidade, mas as chances de cada um são incertas. Outra questão é o tratamento dispensado aos doentes. O ex-presidente, por ser quem é, teve todos os exames e intervenções realizadas em um único dia e saiu do hospital com um diagnóstico fechado e o tratamento agendado, e toda essa presteza certamente terá impactos positivos em sua recuperação. Até aí tudo certo, pois ele é ex-presidente da república! Mas e os milhões de pessoas que recebem essa mesma notícia, ou outras até mais graves, e não podem contar com o mínimo de condições para realizarem exames e procedimentos que salvariam suas vidas? O que fazemos com eles? Choramos sua sorte?
A saúde pública no Brasil, todos sabem, anda de mal a pior. Temos em nosso país tecnologia de ponta, descobertas e tratamentos inovadores, pesquisas milionárias e profissionais altamente gabaritados. Mas temos também, e em maior quantidade, hospitais sucateados, falta de leitos, descaso com a dor alheia, corrupção desenfreada, profissionais medíocres e inescrupulosos e um sistema único de saúde que mais mata do que salva. Somem-se a isso, planos de saúde que rejeitam crianças por não serem lucrativas, que cobram uma fortuna dos idosos, que não cumprem suas obrigações com os associados, que pagam uma mixaria aos profissionais credenciados e que cobram muito caro por tudo isso. Portanto estamos descobertos. Se você não é VIP (Very Important Person) se adoecer mais gravemente, estará encrencado.
Não estou falando nenhuma novidade, são fatos ditos e ouvidos todos os dias na mídia. Mas não temos o hábito de parar e refletir. Vivemos muito atarefados com nossa sobrevivência, cada dia mais difícil, e nos resta pouco tempo para pensar o quanto nosso país está errado nas questões mais vitais. Um país que almeja chegar ao seleto grupo do primeiro mundo, mas muito pouco avança na saúde e na educação de seu povo, está trilhando caminhos equivocados. Acredito que o Brasil seja como um arranha-céu construído sobre os alicerces de uma casa modesta, muito imponente quando olhado por cima, mas extremamente frágil quando aprofundamos o olhar.
Mas o que nós podemos fazer a respeito? Nós que pagamos a maior carga tributária do planeta e não recebemos serviços de qualidade; nós que somos bombardeados diariamente com atos de corrupção deslavada em todas as esferas políticas; nós que trabalhamos honestamente anos a fio e somos sumariamente rebaixados a cidadãos de segunda classe quando nos aposentamos; nós que sustentamos a farra com o dinheiro público em todos os cantos de nosso Brasil; o que nos resta fazer? Sinceramente não tenho a resposta. Gritar? Ir às ruas protestar? Exigir direitos na justiça? Pode ser que tudo isso valha a pena, mas que tal começar aprendendo a votar? Fica aí a sugestão.
A despeito de tudo isso, desejo muita força e pronta recuperação ao ex-presidente Lula!
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