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Olhos alheios









Qual a importância que a opinião dos outros tem em nossas vidas? Quando falo “os outros”, não me refiro àquelas pessoas que nos são caras e para as quais devemos alguma explicação, falo dos outros mesmo, das pessoas que nos rodeiam e que convivemos mesmo que não tenha sido nossa escolha. Desde muito cedo ouvimos a expressão “o que os outros vão dizer?” e acabamos pautando nossas atitudes, mesmo inconscientemente, por ela. Fazemos uma ginástica danada para viver de acordo com o que queremos e ao mesmo tempo agradar aos outros, ou pelo menos não desagradar muito. Em todos os lugares funciona assim, têm sempre outros de olho em nossa vida, mas em uma pequena cidade esse universo de olhos atentos nos vigiando os passos, é infinitamente maior. É uma queixa recorrente, principalmente entre os jovens, a mania que muitas pessoas têm de apontar, julgar atitudes, condenar, absolver, discordar e não raro inventar coisas a respeito de vidas, sem que essas tenham sequer algum tipo de proximidade.
O fato é que se somos observados, também observamos. E é muito difícil não fazer juízos sobre aqueles à nossa volta, mas podemos guardar nossas impressões e não soprá-las ao vento. Uma das poucas coisas que não tem volta nessa vida é exatamente a palavra dita. A partir do momento que ela sai de nossa boca, não mais nos pertence e perdemos o controle. E as palavras ditas, são nossa tradução. O que dizemos e como fazemos isso está mostrando quem somos e o que vai por dentro de nós. Por isso devemos ter cuidado, não só com nossas palavras, mas com nossas atitudes. Não por que o outro pode dizer isso ou aquilo, mas sim porque quando nos expressamos, estamos mostrando ao mundo nossa essência. E o que somos é essencial na hora de julgar o outro, pois é em nosso filtro interno que esses julgamentos são processados. E se falamos levianamente dos outros, estamos abrindo o direito de falarem de nós da mesma maneira. Não tem como ser diferente. Só é respeitado quem sabe respeitar. Simples assim.
Acredito que podemos viver em sociedade de uma forma tranqüila e serena. Basta ser verdadeiro e usar a mesma medida para si e para os outros. Se eu posso, o outro pode. Uma das melhores formas de saber se estamos sendo justos, é se colocar no lugar do outro. Fazer não é tão fácil quanto falar, eu sei. Mesmo porque o ser humano é egoísta por natureza e vivemos cada dia mais, uma cultura individualista. Mas é preciso exercitar até conseguir. Uma lei inexorável é a lei do espelho, tudo que enviamos volta a nós. E a colheita que queremos fazer é sempre compatível com as sementes que jogamos pelo nosso caminho. Acredito piamente nisso, e tento viver isso a cada dia. Não sem sofrer, não sem duvidar, não sem juntar os cacos de vez em quando e tentar de novo. Mas aprendi que nada é melhor para colher o respeito dos outros, do que se posicionar claramente sobre qualquer coisa, e é claro, corroborar opiniões com atitudes.
Portanto, se alguém se posiciona, age com respeito ao próximo, se concentra no que realmente importa e não comete crimes, não há que temer “os outros”.

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