Pular para o conteúdo principal

Caminho do Meio





Sempre fazemos planos e estabelecemos metas para o ano novo. A esperança e possibilidade de mudança nos dão forças para continuar a lutar e sem isso não conseguiríamos seguir adiante. Isso é fato e todos nós ouvimos repetidas vezes mensagens de fim de ano com essa ideia. Mas nessa virada, quero fazer um exercício de aprender a esperar. Não a espera ociosa e indolente, na qual depositamos a responsabilidade de nossas vidas em mãos alheias e nos colocamos como vítimas indefesas, mas o que queria aprender é a espera confiante, esperar e acreditar no que a vida tem a me oferecer, e receber esses pacotes com serenidade. Confesso que é difícil, pois temos sempre a sensação de que nós é que estamos no controle. Ledo engano!

Se pararmos para refletir, saberemos que não temos controle de nada! Tudo pode acontecer e nossa vida pode mudar em um átimo de segundo. Assistimos esse ano, ao nosso redor, muitas famílias que sofreram perdas irreparáveis e a lição que podemos tirar dessas experiências é que somos frágeis e não estamos imunes a nada. Vimos pela TV várias catástrofes naturais, que dizimaram milhares de vidas em apenas alguns minutos, será que somos diferentes daquelas pessoas? A questão aqui não é reabrir feridas, nem tampouco cultuar o sofrimento, mas sim refletir sobre nossa finitude e sobre as possibilidades que a vida nos oferece de crescer e aprender sem precisar sentir na carne uma dor tão profunda.

Se não podemos controlar as forças da natureza, podemos conversar com nossos filhos sobre os perigos que rondam a juventude. Se não podemos prever fatalidades, podemos nos cercar de cuidados básicos de saúde. Se não podemos colocar nossos entes queridos em uma redoma de proteção, podemos dizer a eles que os amamos e que estamos sempre por perto. Se não podemos evitar as nossas perdas, podemos vivenciá-las com a consciência tranquila, de quem fez tudo que podia ser feito. Se não podemos controlar a violência urbana, podemos educar nossos filhos numa atmosfera de harmonia e amor. Se não podemos impedir as guerras, podemos agir com justiça e disseminar uma cultura de paz em nossa casa e trabalho. Se não podemos combater a corrupção, podemos ser exemplos de honestidade.

Portanto desejo para todos, assim como a mim mesma, que possamos encontrar o caminho do meio em nossas vidas. Nem demais, nem de menos. A dose certa. O equilíbrio! Que saibamos receber e acolher as experiências futuras, como presentes para uma vida mais plena e mais feliz; e que tenhamos coragem para lutar, forças para enfrentar a vida e sabedoria para encontrar novos caminhos.

Ano novo! Seja muito bem vindo!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Quem somos nós?

  O que te move na vida? O que faz com que você se levante todos os dias? Trabalho? Família? Sonhos? Muitas vezes me pego pensando sobre o sentido de existir. Aliás, esse pensamento é uma de minhas obsessões e hoje me deparei com um poema da autora Michaela Schmaedel, que me trouxe novamente essa reflexão “ Tem de ter algo/mais nessa vida/do que trabalhar/doze horas por dia/depois sentar-se no/beiral do abismo e/descansar do cansaço extremo ”. Estamos inseridos em um tempo no qual valemos pelo que produzimos. Somos identificados pela nossa atividade profissional. Em qualquer espaço que precisamos nos apresentar, falamos nosso nome e o que fazemos para pagar os boletos. No mundo capitalista só existimos se contribuímos para a máquina de moer gente funcionar e à medida que diminuímos nossa produção, estaremos prontos para o descarte. Se somente a produção importa, quem somos nós para além de nossas atividades profissionais? O que sobra de cada um de nós quando não podemos mais ...

“Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?”

Outro dia me deparei com essa frase de Freud: ‘Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?’, e esta me atingiu feito um raio e me fez pensar e refletir sobre a mania que temos de nos queixar apenas. De tudo e de todos. Em casa, no trabalho, no lazer. Jogamos ao vento clamores e queixumes, muitas vezes tolos, e nos apiedamos de nós mesmos, pagando de vítimas indefesas, não raro, de nossas próprias escolhas. Reclamar é mais fácil que tomar a decisão de mudar o que nos incomoda. Que atire a primeira pedra quem nunca se comportou assim! Eu não ouso. Se olharmos bem lá no fundo, excetuando-se catástrofes naturais ou acasos trágicos, todas as desordens que vivemos são apenas consequências daquilo que fizemos antes, conscientes ou nem tanto, esperando ou não esses resultados. “A toda ação corresponde uma reação de igual (ou maior) intensidade e sentido contrário”, Terceira lei de Newton, lembra? Pois bem, a vida segue essa e outras leis e estamos todos a mercê d...

Exaustos

    A vida segue, sempre segue. Trôpega, caótica, inundada de notícias aterrorizantes e atitudes questionáveis, para dizer o mínimo. Mas também segue criando e cultivando bálsamos para amenizar a dor que assola a todos, oxalá. Sim, essa dor é de todos nós, seres humanos viventes nesses tempos estranhos, dentro do planeta Terra. Ou deveria ser. Aqueles que não se sentem pertencentes ao momento estão enquadrados nas atitudes questionáveis citada acima. Estamos cansados, exaustos. Outro dia ouvi de um especialista que o nome disso é fadiga pandêmica e que está descrito nos anais da ciência. Muitas vezes sentimos que estamos sozinhos nesse sentimento, mas não, podemos sossegar, formamos uma multidão de exaustos, tristes, ansiosos, depressivos. Tantas companhias se não nos consola, pode nos amparar. Como diz um amigo querido, viver um momento histórico não é fácil. E falando em momento histórico, sempre digo que a humanidade dá três passos pra frente e dois pra trás. Fato. So...