Ando meio desligada das notícias nacionais. Aliás, não é desligada, mas propositalmente alienada para conseguir levantar todos os dias, trabalhar pra caramba, chegar ao final do mês e chegar à conclusão de que o salário é pequeno demais para suprir minhas necessidades. Triste, mas foi a forma que encontrei de não morrer de raiva.
Sempre fui ligada ao que acontece ao meu redor, assino revista semanal, jornal aos fins de semana e assistia aos telejornais todos os dias para me informar e poder tirar minhas próprias conclusões a cerca dos acontecimentos. Sempre gostei de política, acompanhei de perto todas as recentes mudanças no cenário político nacional. Lembro-me bem da indicação á presidência de Tancredo Neves, que apesar de não ter sido eleito diretamente seria o início do fim de um período negro da política brasileira. Participei ativamente da primeira eleição direta á presidência em 1989, era universitária na época e ia a comícios, discutia política na escola, defendia meu candidato com unhas, dentes, botons, adesivos e tudo que tinha direito! Acompanhei passo a passo o desgoverno Collor de Mello, assisti ao passeio de FHC, aplaudi e me decepcionei com o governo Lula, e agora, rezo pela nossa presidenta Dilma. Estava sempre atenta também aos governos estaduais e municipais
Já não sou romântica como em 89 e sei que para governar é preciso ceder um pouco. Mas o que me rouba a vontade de ser politicamente ativa é a corrupção deslavada. São desmandos demais, fatos grosseiros que aviltam o povo de uma nação e que nunca são punidos. Cansei de reclamar, de escrever sobre isso e de continuar a ver tudo igual. Infelizmente não acredito mais. Perdi a esperança de ver uma reviravolta, uma insurreição contra esses malfeitores que dilapidam o patrimônio público com uma pachorra inominável! Político para mim se tornou sinônimo de mau caráter e até que me provem o contrário, assim será. Não consigo vislumbrar nenhum representante dessa espécie, que se prolifera numa velocidade excepcional, que me transmita o mínimo de seriedade e respeito.
No próximo ano teremos eleições novamente. Novamente teremos os mesmos clichês, as mesmas palavras vãs, os mesmos gestos suspeitos, as mesmas alianças duvidosas, as promessas de sempre e nada de verdade. Seremos mais uma vez ludibriados, enganados, iludidos. Mais uma reprise requentada de um filme de quinta categoria e que está em cartaz desde que nos entendemos por república.
Pois bem, fico então a espera de um milagre! Um ser que me convença de que há uma luz no fim do túnel, que nem todos estão perdidos e que a vocação política ainda existe. Aviso para aqueles que se habilitarem que nunca acreditei em Papai Noel nem em coelhinho da Páscoa, e que na minha atual descrença, vou precisar de muito mais que beijinhos em criancinhas e palavras bonitas para ser convencida. Aviso também que precisa ser uma cara nova, pois os conhecidos já perderam o crédito e a dívida é impagável.

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