Há 12 anos convivemos por três meses ao ano com o Big Brother Brasil que, diga-se de passagem, só teve vida tão longa em terras tupiniquins. Confesso que assisti a algumas edições, achei alguns participantes interessantes, engraçados, consistentes, inteligentes, mas há algum tempo tenho achado que a hora de acabar já passou. Na última semana vimos o programa em evidência nas notícias policiais. Demorou. Uma combinação explosiva: jovens bonitos, sarados, querendo um lugar ao sol da fama; muita festa e bebida alcoólica, um confinamento onde não se tem nada de produtivo pra fazer, luxo e uma seleção de pessoas na qual o objetivo é criar polêmicas e problemas.
O BBB já protagonizou cenas improváveis. Um AVC ao vivo, uma miss que perdeu seu trono, um médico incapaz de uma fala aproveitável, vidência, homofobia, informações equivocadas. Também mostrou cenas presumíveis de romances e bate-bocas. Mas, verdade ou não, somente a suspeita de abuso sexual ao vivo e a cores, já nos mostra que a fórmula desandou e que é hora de repensar a respeito do que se enfia goela abaixo do telespectador. Sei que muita gente vai pensar: “é só desligar a TV ou mudar o canal”, mas não é tão simples assim. Estamos falando da emissora mais influente no país, que detém a maior audiência, que há anos dita moda e modo de comportamento. Estamos falando de um país onde pra maioria da população, lazer é sinônimo de televisão. Estamos falando de um povo sem educação de qualidade e sem acesso à cultura e por isso, muitas vezes, incapaz de discernir o real do imaginário. Estamos falando de jovens em formação que elegem seus ídolos nos programas televisivos. Portanto não podemos colocar toda a responsabilidade nas mãos de quem assiste. Há muito mais fatores envolvidos.
Mas o fato que eu gostaria de salientar aqui e que motivou todo o imbróglio televisivo, é o abuso de álcool e suas consequências desastrosas. Um problema que está bem perto de cada um de nós e que pode destruir a vida de uma pessoa, seja em um acidente de trânsito, seja em uma briga de rua, seja desencadeando a dependência química, seja em uma convivência penosa e cruel com alcoólicos. Sempre ouvi o clichê de que a maconha é a porta de entrada dos jovens para o mundo das drogas mais pesadas e devastadoras. Hoje penso que essa porta, que está escancarada dentro das nossas casas, é o álcool. Uma droga vendida licitamente, que faz uma publicidade agressiva em todas as mídias, que patrocina eventos esportivos e atletas e que está presente em nossas vidas desde sempre. Uma substância que rega encontros e comemorações, de batizados à raves. E que participa, como protagonista, das baladas que nossos filhos freqüentam, e cada vez mais cedo.
Quem quiser conferir, basta espiar as redes sociais, os perfis, recados, status de jovens e adolescentes. E somos todos coniventes com essa situação, senão por atos, por omissão. Quando as cenas que desencadearam o problema no BBB, foram ao ar na internet e em telejornais, e mostraram um casal de jovens visivelmente bêbados, muita gente ficou horrorizada. Mas quem garante que isso nunca aconteceu com nossos filhos? Quando não se tem mais controle dos seus atos, qualquer um pode se transformar em um estuprador ou ser abusado, pois mais que uma ressaca moral, o abuso de álcool pode trazer consequências perenes e irreversíveis.
Se quiser, desligue a TV e livre-se dos maus programas. Se for responsável por um jovem ou adolescente, se ligue e reforce a atenção.

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