O carnaval vem aí. Confesso que atualmente não é uma época que eu goste, prefiro aproveitar o feriado para descansar e curtir a família. Mas tenho saudades daqueles carnavais de clube, com roda de samba no Casarão e um tempo mais tranqüilo. Tenho um amigo que diz que nada mudou, e que os jovens de hoje sentem a mesma alegria que vivíamos lá atrás, nós é que envelhecemos! Será? Pode ser, mas acho que o carnaval hoje carrega uma áurea de tudo pode, uma urgência em viver todas as experiências possíveis sem cuidado com as consequências, que podem ser graves. Bebida demais, drogas à vontade, ânimos exaltados, sexo quase obrigatório. Parece que o mundo vai acabar na quarta-feira de cinzas. E tudo isso faz com que paire uma tensão no ar. Pelo menos é assim que me sinto nesses dias.
Mas não podemos esquecer-nos da tradição, que em muitos lugares do Brasil é mantida e é culturalmente muito rica. O frevo em Pernambuco, os blocos carnavalescos de muitas grandes cidades, as cavalhadas de Bonfim, as pequenas escolas de samba que encantam os interiores como o nosso, fantasias e brincadeiras. Não falo dos desfiles das grandes escolas, pois esses há muito perderam suas raízes, mas ainda é um espetáculo bonito de se ver, apesar de ser mais que sabido que é financiado com dinheiro duvidoso. O fato é que para muita gente, o carnaval ainda trás momentos de emoção e de alegria gratuita e saudável.
Lembro-me com nostalgia dos carnavais de Carmo da Mata, aliás, não tenho lembrança de ter vivido outros na adolescência. Era uma maratona! Brincávamos nas matinês do clube, íamos para a roda de samba comandada pelo Dimas e companhia e depois de um breve descanso, nos acabávamos no baile do Diamante Clube, dançando ao som das marchinhas. Tudo isso regado a litros de coca-cola. A animação e entusiasmo não precisavam de aditivos. E na quarta-feira de cinzas, mortos de cansaço, assistíamos a apuração das escolas de samba na TV jogados no sofá da sala. Pura magia!
Naquele tempo não havia carnaval fora de época. Era realmente só uma vez ao ano e os trios elétricos só existiam na Bahia. Naquele tempo não havia axé, nem funk, nem sertanejo universitário. No carnaval as músicas eram características. Hoje os carnavais de rua, como o nosso, são festas comuns, iguais as que acontecem em outras ocasiões. As músicas são as mesmas que tocam o ano inteiro, exaustivamente. A festa perdeu a exclusividade, banalizou. Mas, como tudo na vida tem seu lado bom, podemos dizer que hoje a festa é mais democrática. Nas praças públicas não há distinção de classe, nem de cor, nem de credo. A oferta é para todos que querem e gostam. Não é o meu caso, mas respeito o gosto alheio.
Que venha então mais um carnaval e que seja de paz! E que ninguém se esqueça de que, mesmo que o mundo acabe em 2012 como pregam algumas lúgubres profecias, não será na quarta-feira de cinzas!
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