Mês de maio se aproximando. Dia das mães chegando e fico a pensar na responsabilidade daquelas que optaram por gerar e educar vidas. Daquelas que são as figuras mais marcantes na vida de alguém. Que me perdoem os pais, deveras importantes também, mas mãe é protagonista. É porto seguro, é aconchego, é segurança, é insubstituível. Ser mãe, ao contrário do que dizia Coelho Neto, não é padecer num paraíso, ou talvez seja, já que a maternidade traz consigo sentimentos ambíguos de dor e amor, de serenidade e culpa, de felicidade e melancolia, e todo esse paradoxo pode ser sofrimento.
Ser mãe é ter amor pra dar, condição sine qua non para desvendar esse universo mágico e complexo de cuidar de outra vida. Não acho que mãe nenhuma deve se anular por seus filhos, nem tampouco viver por eles. Mas a ausência de mãe é ferida aberta, sangrando. O abandono, a falta de afeto, maus tratos, má conduta, tudo isso vindo de mãe dói mais, machuca mais, amarga mais. Somos eternamente responsáveis por aqueles que geramos, educamos, que amamos incondicionalmente. Filho é para sempre, que não os tenha aquelas que só gostam de crianças, pois eles crescem, aborrecem, adolescem, envelhecem; e se apoderam da própria vida, nos deixando no incômodo papel de expectadoras.
Ser mãe não é fardo, nunca senti assim, mas é missão e das mais nobres. Imprimimos nossas digitais em nossos filhos, nem sempre na semelhança do corpo, mas na subjetividade da alma. As mães marcam! Boas ou más, de perto ou de longe, mansa ou brava, sábia ou inculta, feliz ou macambúzia, sadia ou doente, maluca ou sensata. As mães marcam e se reconhecem em seus filhos, mesmo naqueles que não o são de carne. E daí toda a nossa paúra de não acertar, de não conseguir, de deixar mágoas e sequelas naqueles a quem tão bem queremos.
Ser mãe é ter coração forte, é estar atenta, é compreender a hora certa de intervir ou de se retirar estrategicamente. Mãe é sempre lembrada nos momentos difíceis, pois às vezes somente um colo de mãe é capaz de nos salvar, de nos redimir, de confortar. Mãe é quem cuida, quem afaga, quem educa. Nem sempre a mãe de verdade é a que gerou; muitas vezes a verdadeira mãe é a tia, a avó, a vizinha, a madrinha, ou qualquer outra mulher (ou em raros casos um homem) que faça de alguém um filho.
Ser mãe é fazer sem esperar de volta, é apoiar, orientar, respeitar. Mas é também delimitar seu espaço, pois ninguém consegue ser só mãe 24 horas por dia; é preciso ser feliz, realizar sonhos, cumprir metas, ser mulher! As chances de ser uma boa mãe aumentam de acordo com sua realização como pessoa, pois quando os filhos já não forem mais tão dependentes e tomarem pra si as rédeas de sua existência, ainda assim nos reconheceremos. Mas nem sempre a coexistência de todas essas mulheres em nós é fácil, a preocupação e a culpa costumam ser nossas assíduas companheiras.
Ser mãe é uma delícia, é emocionante, é se aventurar num turbilhão de sensações sem manual de instrução, é se abrir ao novo, ao inesperado, ao inexequível. Ser mãe é contribuir com a ciranda da vida, é impregnar de história e estórias a nossa biografia.
Feliz Dia das Mães!

I like your style: brief and informative. Good job!
ResponderExcluirThank you!
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