Imagine você saindo de casa e ter que procurar um orelhão para se comunicar com alguém. Imagine você saindo de viagem e ter que esperar chegar ao destino para dar notícias aos seus pais. Imagine você ir ao trabalho ou à escola e esperar chegar em casa pra poder contar as novidades do dia. Imaginou? Pois bem, esse mundo limitado existia a bem pouco tempo, antes do celular e da internet. Depois dessas tecnologias, ficar incomunicável é coisa rara ou proposital e depois que inventaram o celular com acesso à internet, estar offline é quase um sacrilégio. Claro que há inúmeras vantagens nesse jeito público de ser e de viver, mas as desvantagens existem e a principal delas, acredito eu, é a exposição exagerada. Já disse isso uma vez e repito, sabemos muito mais da vida alheia do que queremos. Com uma rápida olhadela no facebook, por exemplo, podemos descobrir informações das mais variadas, do cardápio do almoço do fulano ao noivado da beltrana; da viagem ao Egito da cicrana à nova decoração da casa do fulaninho, e por aí vai. Sabemos quem casou, separou, engravidou; somos informados de onde falam nossos virtuais amigos, onde trabalham, estudam, divertem-se; está tudo lá, escancarado e ilustrado com milhares de fotos e vídeos. Lógico que há formas de diminuir esta exposição e as pessoas mais cautelosas e maduras fazem isto, mas as redes sociais são a praia de nove entre dez adolescentes, dos quais cautela e maturidade estão há anos-luz de distância.
Como a tecnologia está avançando numa velocidade assustadora, os celulares de hoje agregam todo tipo de aplicativo, além da internet, e são verdadeiros “canivetes suíços” do século XXI, são mini games, câmeras fotográficas, filmadoras, arquivos e tocadores de música, TV. Viraram peça fundamental na vida da gente e sair sem celular é um ato impensável pra muitas pessoas. Tanto que, de solução passou a ser o problema. Já são proibidos em presídios (por motivos óbvios), em agências bancárias, em escolas e não são bem vindos em teatros, cinemas, consultórios médicos, reuniões de trabalho, etc. Mas infelizmente a tecnologia atropelou os bons modos e os aparelhos continuam ligados e conectados em todo o tempo e lugar.
Dias atrás assisti a duas cenas intrigantes e que me fizeram pensar. Primeiro estava em um casamento e ao meu lado sentou um grupo de jovens animados e sorridentes que passaram todo o tempo da cerimônia conversando e teclando seus celulares. O comportamento deles era típico da idade, mas absurdamente inapropriado para o lugar e o momento. Noutra ocasião, dias depois, duas adolescentes em uma festa de aniversário se conheceram, trocaram dois minutos de conversa, sentaram-se lado a lado, cada uma com seu celular em punho e passaram o resto do tempo trocando mensagens com seus respectivos amigos. Nesses dois casos percebe-se o quanto nossos jovens estão desconectados com a vida real, com regras básicas de educação e convivência. E o pior é que tem muito marmanjo por aí embarcando nessa onda, com a desculpa de se adaptar aos novos tempos.
Não sou contra a tecnologia, acho o celular uma invenção fantástica e gosto muito de navegar nas facilidades da internet. Mas não concordo com essa dependência extrema nem tampouco relevo os abusos em nome do avanço tecnológico. Andar com o celular cantando no último volume é o fim da picada, celular tocando em recinto fechado é o cúmulo da falta de respeito e um monte de gente junta, cada um com seu aparelho em uma estação diferente, é um sinal claro que as coisas não vão bem. Portanto, usemos a tecnologia ao nosso favor e não para nos prender em um mundo virtual que, por mais que seja útil, não substitui o real. É preciso saber conviver, nem que seja apenas para superar uma longa e inesperada noite sem energia elétrica!
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