Recentemente, assistindo a um seminário promovido pela Secretaria da Fazenda, o palestrante disse algo interessante sobre o povo brasileiro; ele falou, citando alguém que não me recordo quem, que o brasileiro individualmente é muito criativo e que o americano médio é medíocre, mas como povo ocorre o contrário, o brasileiro é passivo e desinteressado enquanto o americano sabe cobrar seus direitos e se mobiliza. E parando para analisar, tive que concordar com ele. Sim, pois, apesar de termos nossa criatividade alardeada aos quatro ventos, onde ela está nos levando como nação? Se olharmos com cuidado veremos que os Estados Unidos, mesmo vivenciando uma crise sem precedentes, é uma nação articulada, que investe em seus cidadãos, que se orgulha de seus feitos, que dita normas e comportamentos ao mundo e que é respeitada e adorada pelos seus filhos.
Muito bem, somos criativos, vivemos com dificuldades, driblamos muitas vezes a falta de serviços básicos e continuamos hospitaleiros e alegres. Conseguimos fazer piada com nossas mazelas, exaltamos os humoristas que nos diverte caricaturando os contrassensos que o governo nos oferece, reclamamos de nossos políticos e da corrupção que assola o país e sangra os recursos públicos e só. Tudo fica exatamente no mesmo lugar e a maioria se tem oportunidade, age da mesma maneira. Somos individualistas, não olhamos os problemas à luz do coletivo. Perpetuamos um modelo político podre, conferimos poder àqueles que nos prejudicam e continuamos vivendo, como se não pudéssemos interferir e fôssemos apenas vítimas indefesas de um sistema imutável. Agora a pergunta que não quer calar. Por quê?
Por que elegemos tantas vezes nossos representantes e não acompanhamos o seu trabalho? Por que achamos que temos que compactuar com os erros de nossos eleitos, somente por termos confiado nosso voto a ele? Por que temos medo de cobrar nossos direitos e nos resignamos diante dos maus serviços? Por que insistimos em dar nosso voto a pessoas sabidamente incapacitadas para o cargo que pleiteiam, apenas por serem conhecidos, vizinhos, parentes, etc? Por que temos a memória tão curta e não nos lembramos de que as últimas mudanças do país foram fruto da mobilização social? Quem ainda se lembra das Diretas Já e dos caras pintadas? São páginas recentes de nossa história e que mudaram os rumos de nossa nação. E infelizmente já se passaram vinte anos da última vez que agimos como povo.
É urgente que se faça uma revolução de costumes e ideias. Só viveremos em um verdadeiro berço esplêndido se o povo brasileiro acordar, assumir sua parcela de responsabilidade e não fugir à luta. Somos gigantes por natureza sim, mas de nada adianta essa grandeza se não nos apossarmos de nossa força. E só há força com mobilização e só haverá mobilização quando quebrarmos a inércia que nos torna tão passivos diante do caos e do absurdo. Cobrar não é feio, se informar não é difícil, saber o que se passa ao seu redor é mais que um direito, é dever. De nada adianta CPIs, portais da transparência, leis de responsabilidade fiscal, de acesso à informação, da ficha limpa e o escambau se ninguém quer saber. De nada adianta reclamar, amaldiçoar o governo, se descabelar com mais um caso de corrupção, xingar a mãe do ministro/deputado/senador ou qualquer outro e não sair de seu conforto pra nada. Em tempos tecnológicos, bastam poucos cliques para que você tenha um mar de informações e inúmeras possibilidades de mobilização sem sequer sair de casa.
Portanto, sejamos impávidos guerreiros, nos transmutemos no povo heroico que ilustra nosso hino, façamos nosso brado retumbar e só então poderemos vivenciar o sonho intenso de uma pátria amada e gentil com seus filhos.

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