Queremos paz, caminhamos por ela, pedimos por ela. Mas o que fazemos para tê-la em nossas vidas? Não basta querer, é preciso viver. Em cada dia, em cada lugar, em cada gesto. Antes de cobrar atitudes dos outros, é preciso avaliar nossas próprias atitudes. Somos gentis com as pessoas a nossa volta? Sabemos respeitar ideias, valores e o modo de vida alheio? Somos solidários com o sofrimento que nos cerca? Conseguimos identificar nossas próprias limitações? Somos capazes de pedir desculpas quando erramos? Acredito que a paz passa por todas estas questões.
Na maioria das vezes e em temas complexos como a paz, a sustentabilidade, a inclusão social; colocamos sempre a responsabilidade sobre os ombros de autoridades, do governo ou de instituições que, a nosso ver, não fazem seu papel. Concordo que muitas vezes as grandes ações dependam de grandes investimentos financeiros, de vontade política, de pessoas capacitadas para esse fim. E se eles não fazem nos resignamos frente aos problemas e quase nunca nos colocamos como parte dele, ou como provável solução. Lavamos nossas mãos e continuamos nossas vidas sem fazer uma reflexão sobre as nossas reais responsabilidades ante o caos. Esquecemos que fazemos parte dessa engrenagem e que são as pequenas ações e atitudes positivas que fazem a diferença. As consequências de nossos atos atinge quem está perto de nós, assim como somos vulneráveis às ações alheias. Ninguém é uma ilha, mas podemos e devemos ser pontes.
De nada adianta participarmos de manifestações a favor da paz, se em casa ou no trabalho agimos com tirania e violência. Pouco resolve cobrarmos coleta seletiva em nossa cidade, se continuamos a jogar o nosso lixo nas ruas. Não tem crédito quem critica o preconceito, a intolerância, a homofobia e continua incapaz de conviver de perto com o diferente. É chegada a hora de pararmos de lamentar pelo que não podemos mudar e assumirmos posturas mais retas perante os problemas que estão debaixo de nosso nariz. Pensar no todo e agir no que nos toca. Isso sim pode trazer mudanças. Nada convence mais que o exemplo. Discursos vazios podem até persuadir por um tempo, mas a máxima “faça o que eu falo e não o que eu faço” não tem vida longa.
Portanto, se deseja paz, seja de paz. Se almeja ética, seja ético. Não há outra forma. Os valores que queremos em nossas vidas precisam vir de nós, passar por nossa consciência e emoção e refletir em nossas ações. Então ouça, sinta, viva, faça. Seja a diferença!

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