Pular para o conteúdo principal

A favor da vida!







Poucos assuntos tem o poder de despertar tamanha polêmica como o aborto. Legal ou ilegal? Certo ou errado? Ético ou hediondo? Problema ou solução? Tem defesa para todas as alternativas e há quem as justifique com todo tipo de argumento. Particularmente sou contra, mas não me dou o direito de julgamentos levianos. O único argumento que não me convence de forma alguma é a fala de algumas mulheres que defendem o aborto como forma de soberania sobre o próprio corpo, como se o filho fizesse parte dele. Isso não! Em pleno século XXI, engravidar é escolha. Ou se evita usando uma das mil formas de fazê-lo ou se assume o risco de ter um filho. Aborto como planejamento familiar é ignorância! A meu ver não há diferença entre fazer um aborto ou jogar o filho recém-nascido no rio ou no lixo.
Mas a despeito de tantas controvérsias, fato é que o aborto provocado é corriqueiro, e acontece debaixo de nossos olhos com uma frequência apavorante. Principalmente entre adolescentes. O tráfico de medicamentos abortivos é comum e ainda há aquelas que recorrem a métodos arcaicos para interromper a gravidez indesejada. Triste realidade! Mais triste ainda é a falta de orientação sexual que ainda reina em nossa sociedade pseudo- conservadora e hipócrita. Por mais que vivenciemos uma liberdade de costumes, os adolescentes e jovens continuam os mesmos e ainda necessitam de informações seguras, claras e diretas sobre as consequências de uma vida sexual ativa.
No Brasil a legalização do aborto é um tema que volta à tona vez ou outra. O argumento mais forte é que os transtornos causados em abortos clandestinos figuram entre os maiores atendimentos de mulheres em hospitais públicos e o aborto é a terceira maior causa de morte materna no Brasil. Aquelas com melhores condições econômicas pagam por clínicas que realizam o procedimento de forma mais segura. Mas será que a questão é apenas econômica ou política? Não seria muito mais eficaz e mais barato a criação de campanhas contínuas de informação sobre planejamento familiar, que atendam toda a população? Prevenir não é sempre melhor que remediar?
Mas as questões políticas, econômicas e legais são menores frente às questões emocionais e psicológicas que permeiam a decisão de interromper uma gravidez. Não acredito que a mulher que o faça não passe por um drama de consciência, mesmo que tardio. Não creio ser possível tirar a vida de alguém, sem a menor chance de defesa, e sair ilesa emocionalmente. Mas não nos cabe julgar. Cada um tem suas verdades e seus valores e há momentos em que a vida oferece poucas saídas. Ao nosso alcance está a possibilidade de educar, nortear e informar àqueles ao nosso redor, sem falsa moral e radicalismos, mas sempre a favor da vida!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Quem somos nós?

  O que te move na vida? O que faz com que você se levante todos os dias? Trabalho? Família? Sonhos? Muitas vezes me pego pensando sobre o sentido de existir. Aliás, esse pensamento é uma de minhas obsessões e hoje me deparei com um poema da autora Michaela Schmaedel, que me trouxe novamente essa reflexão “ Tem de ter algo/mais nessa vida/do que trabalhar/doze horas por dia/depois sentar-se no/beiral do abismo e/descansar do cansaço extremo ”. Estamos inseridos em um tempo no qual valemos pelo que produzimos. Somos identificados pela nossa atividade profissional. Em qualquer espaço que precisamos nos apresentar, falamos nosso nome e o que fazemos para pagar os boletos. No mundo capitalista só existimos se contribuímos para a máquina de moer gente funcionar e à medida que diminuímos nossa produção, estaremos prontos para o descarte. Se somente a produção importa, quem somos nós para além de nossas atividades profissionais? O que sobra de cada um de nós quando não podemos mais ...

“Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?”

Outro dia me deparei com essa frase de Freud: ‘Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?’, e esta me atingiu feito um raio e me fez pensar e refletir sobre a mania que temos de nos queixar apenas. De tudo e de todos. Em casa, no trabalho, no lazer. Jogamos ao vento clamores e queixumes, muitas vezes tolos, e nos apiedamos de nós mesmos, pagando de vítimas indefesas, não raro, de nossas próprias escolhas. Reclamar é mais fácil que tomar a decisão de mudar o que nos incomoda. Que atire a primeira pedra quem nunca se comportou assim! Eu não ouso. Se olharmos bem lá no fundo, excetuando-se catástrofes naturais ou acasos trágicos, todas as desordens que vivemos são apenas consequências daquilo que fizemos antes, conscientes ou nem tanto, esperando ou não esses resultados. “A toda ação corresponde uma reação de igual (ou maior) intensidade e sentido contrário”, Terceira lei de Newton, lembra? Pois bem, a vida segue essa e outras leis e estamos todos a mercê d...

Exaustos

    A vida segue, sempre segue. Trôpega, caótica, inundada de notícias aterrorizantes e atitudes questionáveis, para dizer o mínimo. Mas também segue criando e cultivando bálsamos para amenizar a dor que assola a todos, oxalá. Sim, essa dor é de todos nós, seres humanos viventes nesses tempos estranhos, dentro do planeta Terra. Ou deveria ser. Aqueles que não se sentem pertencentes ao momento estão enquadrados nas atitudes questionáveis citada acima. Estamos cansados, exaustos. Outro dia ouvi de um especialista que o nome disso é fadiga pandêmica e que está descrito nos anais da ciência. Muitas vezes sentimos que estamos sozinhos nesse sentimento, mas não, podemos sossegar, formamos uma multidão de exaustos, tristes, ansiosos, depressivos. Tantas companhias se não nos consola, pode nos amparar. Como diz um amigo querido, viver um momento histórico não é fácil. E falando em momento histórico, sempre digo que a humanidade dá três passos pra frente e dois pra trás. Fato. So...