Texto publicado no Jornal O Tempo, dia 29/07/2012
Eleições municipais. Numa grande cidade a disputa ao cargo executivo muito se assemelha às disputas estaduais e federais, o pleito ganha notoriedade, arrebanha cabos eleitorais de peso e transcorre com todas as variantes esperadas em uma grande eleição. Mas nas pequenas cidades do interior o bicho pega! Pra começo de conversa, não existe ideologia partidária que se sobreponha ao peso de sobrenomes fortes. Nem há discurso, oposição ou ideal que aniquile a força de um candidato próximo, parente ou vizinho, amigo ou conhecido.
Nas cidadezinhas do interior a escolha é visceral e a defesa do candidato dispensa argumentos políticos. Coligações? As mais inimagináveis! O cenário político nacional pouco interfere nos acordos costurados à moda antiga. Ganha o direito de se lançar candidato aquele sujeito simpático, afeito a cortesias com o populacho, membro de família tradicional e capaz de apresentar padrinhos que acenam com a possibilidade de investimentos na região. Capacidade de trabalho, currículo e vida pregressa são secundários.
E quanto menor a cidade, maior a carência afetiva dos eleitores. Os feitos realizados, as benfeitorias conseguidas ou a inaptidão administrativa se transformam em meros detalhes diante de um abraço caloroso, uma presença estratégica ou uma visitinha informal. E uma vez conquistado o eleitor é fiel por várias gerações. Partido político? Ou você é do fulano ou do cicrano. A dança das letrinhas é questão insignificante, ninguém se prende a essas simples formalidades. Nem mesmo aqueles eleitores ditos esclarecidos, hábeis formadores de opinião e críticos ferrenhos da política além dos muros de seu quintal, conseguem se desvencilhar do padrão doméstico de politicar.
Portanto, se lançarmos um olhar mais atento às pequenas cidades, veremos bem mais que resquícios do coronelismo, com direito a perseguições políticas, compra de votos, imprensa tendenciosa e muito mais. Talvez seja apenas uma amostra da ainda frágil democracia brasileira, sem a máscara imposta pelos renomados marqueteiros e vultosos investimentos. A contar pela gigantesca dimensão de nosso país e pelos milhares de pequenos municípios, o que prevalece por aqui é mesmo a velha e passional política dos compadres!

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