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Astronauta


“Um pequeno passo para o homem, um grande salto para a humanidade”, disse Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na lua, dia 20 de julho de 1969. E hoje, 43 anos depois, recebemos a notícia de sua morte. As imagens, as pesquisas, os documentos e as dúvidas ficam; mas a história real, vivida e sentida silenciou-se para sempre.

Quando saímos de nosso lugar, vivemos sentimentos diversos. Expectativas ante o novo, novos lugares, paisagens outras, costumes diferentes. A sensação de pertinência, de intimidade que temos em nossos ambientes já não existe e nos apegamos a nós mesmos como única referência. Mesmo tendo saído do país uma única vez, sentir-se estrangeiro nos faz refletir. Fico imaginando então, como se sentiu o astronauta ao sair não de sua cidade ou seu país, mas de seu planeta. O que será que pensou ele, ao se ver livre da gravidade que nos mantém em terra firme e ao se sentir segregado até da atmosfera que nos permite respirar?

Será que sofreu de uma solidão avassaladora durante as horas que vagou pela lua, contando exclusiva e inexoravelmente com sua própria companhia? Será que teve medo, um pavor imensurável de se perder para sempre no infinito espacial? Será que viveu a liberdade plena, como um ser intangível por qualquer outro semelhante? Ou será que o maior sentimento foi uma vaidade estupenda em embarcar pra história humana, num caminho sem volta, qualquer que fosse seu final? Caso ele não tenha deixado escrito, não iremos mais saber. O medo, a solidão, a vaidade ou qualquer outro sentimento expiraram hoje, dia 25 de agosto de 2012.

Quem sabe seu espírito astronauta, abolido da carga material, não foi refazer seu turismo lunar? Ou então, foi navegar pra além do universo, que esse negócio de andar na lua, é coisa pra pobres mortais. Vai saber!

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