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Nostalgia




Um email pode ser tocante, uma mensagem de celular pode nos divertir, um depoimento em redes sociais pode nos dar alegrias. Mas uma carta é insuperável no quesito sentimento. Tenho saudades de receber e escrever cartas. Nem me lembro de qual a última vez que recebi uma, mas suspeito que já vá uns bons 15 anos. E essas que recebemos impressas não valem. Falo de cartas queridas, que trazem notícias de quem importa, ou declarações de amor. Falo de reconhecer seu nome numa letra familiar ou surpreender-se com um remetente inusitado.

E aqueles com menos de 20 pasmem, existiu comunicação antes da internet. Tive uma caixa de cartas, onde depositava as palavras trocadas com amigos e primos. Depois tive a caixa de cartas de amor, pois namorava à distância. Suspeito seriamente terem sido devoradas por formigas, tão açucaradas eram! Não sei em que momento acreditei não precisar mais delas, sei somente que não existem mais. Uma pena! Hoje gostaria de relê-las. Eram deliciosamente doces, e sinceras, e apaixonadas. E eram muitas, às vezes trocávamos duas por semana quando os correios cooperavam.

As cartas possuem o toque da caligrafia, que traduzem com mais fidedignidade o que o outro disse. As cartas demandam espera, e dizem por aí que o melhor da festa é esperar por ela. As cartas podem ser trêmulas de emoção, podem ser sôfregas de saudade, podem ser úmidas de tristeza, perfumadas de paixão. Carregam a emoção latente, que imaginamos ao degustá-las calmamente ou engoli-las de um só trago. As cartas são sempre testamentos de bem-querer, mesmo que carreguem notícias tristes. Alguém se sentou, procurou um papel e caneta, pensou em você e escreveu.

Tudo bem, na vida de agora as cartas não cabem, são lentas demais. As caligrafias se descaracterizam por falta de uso. Quanto mais rápido teclamos, mais torto manuscrevemos. E o carteiro, coitado, que ainda existe pra entregar contas e produtos comprados virtualmente, pode ser atacado caso alguém espere uma carta que demore mais de 5 minutos pra chegar. Contento-me então com os e-mails, algumas mensagens de texto e recadinhos do facebook. Mas se pudesse escolher, ficaria com as cartas.

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