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"Quando florescem os Ipês"




Quando garota li um romance juvenil denominado “Quando florescem os ipês” de Ganymédes José. Já não me lembro da história, mas esse título sempre me acompanhou e costumo me lembrar dele especialmente nesta época do ano, quando os pastos, as ruas e os morros se salpicam de amarelo ouro, numa efêmera demonstração de beleza e vida. Os Ipês! Eles me encantam por sua imponência e seu atrevimento em florescer em meio á seca, num tempo em que toda a vegetação desbota resignadamente esperando as chuvas.
E suas flores são exigentes, não admitem concorrência. Os ipês se despem de suas folhas, baterias responsáveis por sua energia, e aguardam docemente as flores, lindas e frágeis. É um belo espetáculo que colore o mês de agosto, que a meu ver, é um mês de cara fechada, triste e monótono. E uma lição que a natureza nos dá, mostrando que mesmo em meio a adversidades é possível ser belo, alegre e colorido. Basta um bom motivo, que no caso do ipê é garantir a existência da espécie, para que tiremos da cartola qualidades que nem mesmo conhecíamos.
Em tempos de ventania, que desalinham as cabeleiras e desidratam a pele, vemos pequenas bailarinas douradas rodopiando e depois que todas já tiverem se atirado ao derradeiro voo, brotam novas folhas, surgem os frutos que se abrirão num estalo, liberando suas sementes aladas, e estas, decididas, cumprirão sua nobre missão de garantir outros agostos salpicados de amarelo. É o ciclo da vida impondo sua força e esplendor!
Procuremos então bons motivos para florescermos. Não apenas em agosto, mas sempre, em momentos favoráveis ou adversos. Pois é quando florescemos que somos notados e admirados. É quando florescemos que proporcionamos alegria e enfeitamos o mundo em que vivemos. E florescer pode ser apenas reconhecer e cumprir a missão que nos foi delegada pela vida ou por nós mesmos. Simples assim!

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