Quando estudante li vários livros de uma coleção chamada “Para gostar de ler”. Eram crônicas e contos de escritores conhecidos como Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Carlos Drummond de Andrade. Tinham outros autores, mas os mineiros me chamavam mais atenção. Dias atrás comprei dois livros com coletâneas de crônicas e contos de Fernando Sabino e voltei no tempo quando me deparei com textos que ainda guardava na memória daquelas leituras de colégio. Lembro também com carinho do livro Beira-mar, de Pedro Nava, um dos grandes memorialistas brasileiros, e também mineiro. Sensacional!
Bem, que Minas têm grandes nomes da literatura nacional é fato. Mas esses autores que citei, além do fato de serem mineiros, têm em comum o Rio como cidade que escolheram para viver. Talvez nem tenha sido uma escolha, na época o Rio era a terra das possibilidades para os jovens intelectuais. Belo Horizonte ainda era uma capital modesta. Mas o fato é que me descobri bairrista e ciumenta de nossas pérolas culturais. Fiquei encafifada com aquela predileção de todos, em se bandear para os cariocas, deixando nosso estado órfão de filhos tão ilustres.
Em seus escritos, há inúmeras menções à Belo Horizonte de outrora. Da boemia, dos jornais, das faculdades, dos monumentos, dos bairros, dos bondes. Mesmo sendo de outra geração, é bom reconhecer os lugares citados, sentir que fiz parte deles e que neles vivi também os anos dourados da adolescência e juventude. É bom se sentir pertinente a um pedaço de mundo tão peculiar como as Minas Gerais. Os mineiros se reconhecem uai!
Hoje todos aqueles autores são patrimônio do país e referências na literatura nacional. Gravaram seus nomes na memória e no coração, não só dos mineiros, mas de todos os brasileiros. E a despeito de terem se mudado tão jovens de nosso solo, suas obras carregam os valores de nossa terra e suas biografias ostentam o carimbo inviolável do estado em que nasceram. Não tive a mesma sorte! Logo eu, que sou mineira de herança, paixão e querer, mas que, por descuido do destino, ou obra do acaso, em outras terras fui nascer. Paciência! Só espero que não me pregue mais peças o destino, pois por aqui pretendo morrer!
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