Outro dia estava parada num cruzamento e do carro à minha frente, do qual emanava um som ensurdecedor, foram lançadas, sem a menor cerimônia, duas latas de cerveja no canteiro ao lado. Cruzamos com atitudes assim todo o tempo, desrespeitosas e acintosamente equivocadas. Pessoas atiram qualquer tipo de lixo que tenham às mãos no meio da rua. Carros passam aos berros pela rua, sem se importar com o adiantado da hora e com o sono alheio. Celulares que gritam em todos os lugares, mostrando que seus donos não conhecem a privacidade do fone de ouvido. Fico pensando que, mais que educação, o que anda faltando é o mínimo de civilidade.
E nem falei ainda da agressividade no trânsito, da falta de gentileza nos transportes coletivos, do desrespeito aos idosos, da intransigência com os portadores de necessidades especiais. Temos muitos motivos para repensar nossa postura ante o coletivo. A maioria das pessoas ainda olham os espaços públicos como terra de ninguém. Muita gente ainda destrói aquilo que ele mesmo pode precisar, depredando telefones públicos, placas de trânsito, bancos de praças, escolas e toda sorte de monumentos e prédios públicos.
Tudo bem que a onda do ‘politicamente correto’ nem sempre é acompanhada de bom senso, que o diga Monteiro Lobato, que deve estar se revirando no túmulo ultimamente com os ultrajes sofridos por sua obra, mas quando o assunto é educação e respeito ao próximo, esses valores precisam ser repassados, urgentemente. E que os pais não só falem o que seus filhos devem fazer, mas mostre a eles como se comportar. Exemplos! Coerência! São atributos essenciais a educadores e formadores de opinião, que somos todos.
O mundo precisa de gentileza! Precisamos dar testemunho que, assim como temos nossos direitos e devemos brigar por eles, temos o dever de respeitar os direitos alheios. Anda pairando no ar uma nefasta ideia de que certo é o que queremos e errado é o que os outros querem. Convivemos todos os dias com situações absurdas, onde não vemos a menor noção de limite. Regras e leis são desprezadas acintosamente. Ética é um vocábulo que está caindo em desuso.
Aquele que é capaz de jogar pela janela, em via pública, uma lata de qualquer bebida, é capaz também de furar fila, de não ceder seu lugar no ônibus para um idoso, de estacionar em vagas destinadas a deficientes, de importunar todos em sua volta com um som enlouquecedor, de passar o sinal vermelho pondo em risco a vida de pedestres. Viver em um mundo civilizado depende mais de nossas atitudes do que qualquer outra coisa. Todos nós podemos contribuir. Bastam pequenas ações ou nem isso, basta apenas seguirmos regras simples e fáceis.
Gentileza, respeito, cuidado, compaixão! Experimente o poder transformador desses valores!
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