Todo mundo concorda que a única certeza que temos na vida é que morreremos um dia. A morte é a verdade inexorável da vida e mesmo assim somos tão despreparados para ela. Sempre que perdemos alguém querido, custamos a nos conformar com o desaparecimento e com a ideia de nunca mais. Choramos e sofremos por nossa perda e por mais que sejamos crentes na vida eterna ou na continuidade da existência, a ausência física machuca sobremaneira.
Acreditar que nossa passagem por esta vida é somente um estágio para aprendermos e evoluirmos, e que a essência continua sua caminhada, talvez amenize a dor. Acreditar que temos uma missão a cumprir neste plano e que após o cumprimento dessas metas nosso tempo expira, talvez conforte o coração. Acreditar que todos continuam vivos, aguardando um momento final ou voltando à roda de reencarnações, talvez abrande o desespero. Mas acredito que a fé na justiça Divina e na perfeição dos planos de Deus seja o verdadeiro consolo.
Sempre costumo dizer que não tenho religião definida, mas sou extremamente religiosa e tenho minhas crenças. Creio piamente na existência de uma vida plena, sem limitações. Creio que todos nós somos centelhas divinas e guardamos em nosso cerne muito mais possibilidades que sequer imaginamos. Creio que fomos criados para a abundância e para a felicidade e que guardamos em nós mesmos todas as ferramentas para alcançá-las. Creio num Deus de misericórdia e puro amor. Creio que o inferno seja a consciência cristalina de ter errado a rota, desprezando os sinais durante a caminhada.
Voltando à morte, fico imaginando que aqueles que não creem em nada disso e que acham que essa vidinha que levamos por aqui seja um fim em si mesmo, devem sofrer muito mais diante do fim. Por mais que a vida seja um presente e que nos proporcione diversas oportunidades de felicidade, na maioria do tempo estamos apenas garantindo nossa subsistência. Pouco demais, eu acho. “Há muito mais entre o céu e a Terra, do que supõe nossa vã filosofia” já dizia Willian Shakespeare, e concordo com ele. Somos muito mais que animais racionais, buscando a felicidade e lutando para sobreviver e conviver.
A dor que enfrentamos diante da morte, talvez seja pela nossa absoluta falta de controle sobre a vida. Nada nem ninguém estão sob nosso controle, tudo pode acontecer num átimo de segundo e mudar completamente nossa trajetória e daqueles a quem amamos. E para podermos conviver com essa ideia, sem neuroses, é preciso ter fé. Confiar que Deus é justo e que nada acontece por acaso. Fazer o que nos cabe e viver da melhor forma possível todos os dias. Acreditar que a morte não é o fim, mas um retorno ao nosso verdadeiro lar.
Talvez sejamos como a flor, que perece para dar lugar ao fruto, que por sua vez, fenece pra semente germinar e voltar a ser árvore!
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