
Viver em sociedade não é tarefa fácil! Até seria simples se não fossemos, na essência da espécie, tão egoístas. Somos seres individualistas por natureza e nosso bando são aqueles a quem amamos; os outros são adversários ou concorrentes. Esta afirmação pode parecer muito dura à primeira leitura ou fatalista demais, mas podemos argumentar sobre o tema.
Minha timidez me fez uma voraz observadora do comportamento das pessoas com quem convivo. Tenho horror a injustiças e maior pavor tenho de cometê-las de alguma maneira. Tenho comigo uma busca constante do não julgamento, ou seja, de educar o olhar em direção ao outro com as mesmas medidas com que olho para mim mesma. Não é simples! Talvez seja o que há de mais complexo nessa aventura da convivência a que estamos inexoravelmente destinados nesta vida. Mas sigo pelejando!
Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim; disse o genial Millôr Fernandes. E essa frase talvez descreva grande parte do comportamento e da percepção humana diante das regras, leis e regimes criados para tornar a convivência mais amena. Somos craques em analisar a conduta alheia, em cobrar direitos, em perceber e dar o grito nas situações em que estamos em desvantagem. E somos igualmente hábeis em inverter o julgamento, em abrandar consequências, em encontrar brechas nas leis para nos beneficiar.
Em todos os lugares, em todo tipo de relação humana, em toda situação de coexistência, haverá divergências de olhares, pois, obviamente, cada um olha primeiro para si mesmo. E cada um, ou cada grupo, defende verdades diversas, ou apresenta justificativas consistentes dentro de contextos particulares. E, na grande maioria dos casos, não fazemos isso por maldade ou vilania. Talvez seja apenas meros resquícios do instinto de sobrevivência indispensável a nossos primeiros representantes pré-históricos. Mas desconfio que em terras tupiniquins, faltou algum estágio evolutivo no que diz respeito à capacidade de acatar leis.
Quando somos parte de um todo, em um governo, uma nação ou uma instituição, somos fatalmente submetidos a regras, que devem ser justas e desprovidas de protecionismos ou benesses de qualquer ordem. E, em minha humilde opinião, a construção coletiva de tais regras, a aplicação das mesmas igualitariamente e a fiscalização também coletiva, é a melhor forma de justiça. As leis são muitas vezes frias e implacáveis, mas quando temos que organizar a convivência e a eficiência de um grande número de verdades e justificativas, talvez seja a única forma.
O que eu posso o outro também pode. O que o outro não pode, eu também não posso. Simples assim! Simples? Quem dera fosse! Viver coletivamente essa máxima talvez seja o segredo da paz mundial! Vivê-la singularmente é o primeiro passo!
Júnia,
ResponderExcluirmais uma vez adorei suas palavras, seu penúltimo parágrafo disse tudo. É difícil mas também acredito que e´o caminho...
Sol