Sé Vacante. Não Habemus papam! Diante de um mundo perplexo e ainda aturdido com a imponderável renúncia de Bento XVI, a igreja nunca foi tão humana. Incapacidade física? Poder paralelo? Corrupção? Escândalos sexuais? Traição? Todos esses motivos que por ventura tenham levado à decisão de renúncia do Sumo Pontífice são tão humanos quanto aqueles que nos guiam em nossas escolhas na vida, mas, com toda a certeza, mais contundentes.
Diante da figura abatida e torturada de Joseph Ratzinger, fiquei imaginando todo o calvário que esse homem percorreu até o anúncio bombástico do dia 11 de fevereiro de 2013. Uma demonstração inquestionável de que, para salvar o todo, muitas vezes é necessário cortar na própria carne. Uma declaração de amor à Igreja e a tudo que ela representa para ele mesmo e para centenas de milhares de fiéis. Talvez a maior revolução de dogmas seculares, que norteiam os caminhos do catolicismo, segundo os especialistas do assunto.
Confesso que o Papa Bento XVI não me despertava simpatia. Tudo bem que ele teve a difícil missão de substituir o carismático João Paulo II, que extasiou o mundo com seu estilo arrojado dos primeiros tempos e emocionou a todos com sua decisão de não esconder de seus fiéis a sua decadência física. Bento XVI nunca foi pop nem peregrino, continuou sendo o estudioso e intelectual de sempre, introspectivo e sisudo. Questão de estilo. Não cabem comparações.
Talvez juntos esses dois grandes Papas de nossa era tenham feito mais pela igreja que todos os anteriores. João Paulo II inovou, levou o vaticano aos fiéis do mundo inteiro, mostrou a igreja ao mundo, arrebatou multidões por onde passava, reverenciou todas as nações onde pisou com seu gesto indelével de beijar-lhes o solo, expôs com humildade e coragem suas fragilidades de homem e foi chamado de santo. Bento XVI, não carrega a aura de santo, mas de homem erudito e sábio, perspicaz o suficiente para aniquilar o inimigo da forma mais inesperada e definitiva. Revelou ao mundo os pecados dos homens de Deus e saiu de cena para entrar definitivamente na história não como mártir, mas como brilhante estrategista.
Agora nos resta aguardar o próximo papa e as mudanças que ele trará. Num mundo carente de igualdade, de paz e respeito ao outro, uma igreja livre de preconceitos e aberta ao diálogo seria de muita valia. Num mundo tecnológico e instantâneo, uma igreja mais direta e objetiva seria mais efetiva. Num mundo onde o poder econômico está ditando valores, uma igreja mais simples, com menos ostentação, seria um ótimo exemplo. Num mundo necessitado de justiça, uma igreja corajosa o suficiente para banir os maus soldados, seria imensamente bem-vinda.
Nos próximos dias acompanharemos mais um conclave. Nos próximos dias o destino da igreja será selado. Somos todos espectadores deste capítulo da história, e isso é fascinante. Que o escolhido receba as bênçãos daquele a quem se diz representante na Terra. E que o Espírito Santo o ilumine!
Muito bom, Júnia.Acho que o penúltimo parágrafo do seu texto resume o anseio de milhões de pessoas. Ficaremos na expectativa aguardando as novas. Parabéns pelo texto. Sol
ResponderExcluirQue o Papa Francisco dê o tom da mudança que tanto ansiamos!!
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