Querida,
Acho que ainda posso te chamar assim, querida! Será? Sim, porque há muito não nos chamamos de nada, aliás, não nos chamamos nem mesmo em bate papo virtual, né? Mas resolvi te escrever esta carta para te contar que você fez falta nesses anos. Você faça o que bem quiser com ela, talvez você nem mesmo a leia, talvez ache uma grande balela ou uma pieguice desnecessária. Talvez eu escreva mais pra mim mesma que pra você.
De tempos em tempos fico pensando em você. De como éramos ligadas, como sabíamos de tudo da vida uma da outra, de como saíamos sempre juntas e nos divertíamos tanto! Fico a lembrar de que éramos como irmãs e que hoje não passamos de meras conhecidas. Não sei mais nada de sua vida, onde trabalha, onde passeia e o que anda fazendo! Talvez saiba alguma coisa pelos seus posts na internet. Sei por exemplo que gosta de animais, que inclusive é ativista da causa. Sei também que continua muito amiga de pessoas dos tempos de colégio. Vejo suas fotos e a acho a cara da sua mãe. Tenho saudades dela e do tempo que ficou lá atrás!
E o pior não é isso! O pior é que não consigo entender até hoje o porquê dessa distância toda. Por mais que tente, não consigo achar um motivo palpável para esse afastamento. Posso te dizer que hoje não sofro mais, mas já me senti muito mal com sua sumida. De vez em quando repassava os últimos tempos em que éramos próximas e tentava me lembrar se fiz algo que te magoou. Nunca consegui achar a resposta. E você também nunca se preocupou em me dizer. Fazer o que?
Minha vida seguiu sem você por perto. Amadurecemos sem poder contar com o ombro amigo de outros tempos. E hoje, o que sobrou de nosso desencontro foram algumas poucas palavras virtuais, felicitações nos aniversários e um profundo pesar, ao menos de minha parte. Já não é mais tristeza, pois o tempo se encarregou de desvanecê-la. Talvez seja apenas a constatação de que as perdas fazem parte do caminhar. Mesmo que não consigamos entendê-las!
Abraços,
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