Bons tempos aqueles em que o choque de gerações limitava-se a divergência de gosto musical e volume do som. Vivemos tempos bicudos! Educar os filhos hoje é tarefa hercúlea e demanda uma enorme variedade de habilidades e competências de pais quase sempre despreparados para tal batalha. As crianças e os jovens de hoje são diferentes. Não na alegria gratuita e nas risadas fáceis, nem tampouco na urgente necessidade de estar com sua tribo e ser pertinente. O que vemos hoje são adolescentes e crianças ansiosos, com tolerância zero às frustrações e com uma dificuldade tremenda de entender a palavra NÃO.
Fruto da evolução dos tempos, dizem alguns. Ok, os tempos são outros, o mundo mudou, a tecnologia dominou, as informações são instantâneas, a exposição é geral e o acesso é quase irrestrito. Mas, onde andam os sentimentos, o afeto, o aconchego, as tradições, os sonhos? Nossos pequenos estão perdendo a capacidade de sonhar! Esperar é verbo em desuso. A felicidade está sempre á frente, em algum lugar do futuro e recheada de coisas materiais. Eles querem ter antes de ser. Querem e ai de quem não permitir que possuam! As pequenas alegrias da infância e juventude já não lhes enchem os olhos, querem a felicidade total, mesmo que dure apenas alguns minutos!
E onde estão os adultos responsáveis por esses guris? Perdidos entre a educação que receberam e aquela que não conseguem repetir em seus filhos. Atordoados diante de tantas cobranças e exigências. Apavorados diante de tantos perigos e fantasmas. Apressados diante de um tempo que corre demais. Impacientes para negociar regras e ouvir sinais. Ocupados com sua própria necessidade de adaptação. Procurando em algum lugar fora de casa, o culpado por tantos desmandos e tamanha anarquia.
Não há culpados! Mas existem responsáveis. Criança não aprende somente o que lhe ensinam, elas aprendem, principalmente, ouvindo, vendo, participando, sentindo e convivendo. E a primeira e derradeira escola de vida de qualquer pessoa é a família, qualquer que seja. Todas as outras escolas serão complemento. Somos todos frutos do meio onde crescemos e as raízes de cada um é que alimentam nossas atitudes e nosso comportamento frente à vida e aos semelhantes. Os valores que carregamos vida afora são gerados em nossa infância e, mesmo que aprendamos outros ao longo de nossa história, são aqueles primeiros que irão moldar nosso caráter.
Acredito nos jovens e, Deus permita, nada me demoverá a esperança de dias mais serenos, com mais alegrias que tristezas, mais sucessos que fracassos, menos sofrimento e mais futuro. Acredito na família como alicerce da paz e da justiça que tanto almejamos e no poder do afeto ante a crueza do mundo. Há de chegar o tempo do equilíbrio! Oxalá!
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