O que é cultura? Quando fazemos esta indagação o que nos vem à mente é que cultura é sabedoria, é conhecimento. Uma pessoa considerada culta é aquela que, no consenso geral, lê muito, conhece vários assuntos e transita bem entre diversos temas. Concordo em partes. A cultura é construída ao longo de nossa vida através de diferentes formas, mas cultura no sentido mais amplo é o que vivenciamos no contexto em que estamos inseridos e vai desde a comida que habituamos a apreciar até as manifestações artísticas oriundas de nosso conhecimento intrínseco e adquirido.
Teorias a parte, cultura é tudo que está a nossa volta e pode ser lida e percebida na moda, na literatura, na linguagem, na dança, na TV, teatro, etc. Estamos mergulhados em culturas locais, regionais e, nos últimos tempos, globais. Talvez só tenhamos uma clara percepção dela num futuro próximo, quando olhamos para o momento vivido com certa distância, e, podemos então caracterizá-la mais claramente. Fazemos isso cotidianamente quando olhamos registros fotográficos antigos, ouvimos músicas passadas ou quando rememoramos uma época remota.
Mas, toda essa introdução pretensiosamente teórico-filosófica é para dizer que o contato com a nossa cultura passada ou contemporânea nos dá uma confortável sensação de pertencimento. Digo isso porque, em nosso dia a dia, principalmente longe dos grandes centros urbanos, o acesso a essa cultura personificada e objetivada em shows, museus, espetáculos de dança e outros, ainda é precário. Confesso que a busca por eventos culturais dessa natureza, por muito tempo, passou distante de minhas prioridades, excetuando-se aí a literatura que é minha paixão maior e pode ser consumida sem maiores esforços.
Não por planejamento, mas por um feliz acaso, pude viver nesses últimos dias, uma aventura cultural que me tocou profundamente. Em visita à Pinacoteca de São Paulo, numa despretensiosa excursão com alunos, visitei o Memorial da Resistência e vivi uma volta aos anos de chumbo vividos no Brasil durante a ditadura militar. Este é um tema que a mim fascina sobremaneira pela congruência de ideal que tomou o país, sentimento este jamais visto na história brasileira. Outro ponto impactante foi o encontro, no mesmo museu, com a tela Uirapuru de Tarsila do Amaral, marco indelével da Semana de Arte Moderna de 1922, tão cantada em verso, prosa e história.
E daí se sucedeu coincidentemente outras oportunidades muito ricas de encontro com grandes pensadores, apresentações de dança brasileira, show de música genuinamente mineira e um encontro com o grande poeta e cronista gaúcho Fabrício Carpinejar, homem de todas as mídias e um genial tradutor do cotidiano. Foi um afago à alma e um mergulho na memória de nossa gente!
A sensação de se ver representado e de se enxergar naqueles momentos é vital e indispensável ao pleno desenvolvimento humano. Senti com clareza que cultura mata fomes sim e arrebata o espírito, além de nos dar esperanças, nos fazer mais otimistas e fornecer uma grata sensação de liberdade!
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