Sempre brinquei que iria nascer homem, mas mudaram de ideia na última hora! Apesar de ter crescido entre mulheres (somos quatro irmãs) o universo masculino sempre me pareceu atraente. Quando criança gostava de brincar de carrinho e jogar futebol. Nunca tive excesso de vaidades nem paciência com futilidades. Salão de beleza somente para o que não consigo fazer sozinha, em casa. Em algumas reuniões onde os convidados se dividem por gênero, não raro prefiro o clube do bolinha com seus assuntos variados ao papo previsível e enfadonho de muitas mulheres; cabelo, unha, dieta e maquiagem são apenas detalhes e nunca o prato principal. Nunca preferi rosa, minha cor predileta é o azul!
Não é por acaso que a vida só me deu filhos homens, acredito. Ser mãe de menina exige certa delicadeza que a vida não me ofertou. Sou direta demais, prefiro sempre as vias de acesso rápido, sou expressa. Mas não sou insensível e creio que minha poesia legitime essa afirmação. O que me falta é paciência com frescuras e exageros. Gosto de me arrumar, me sentir bonita, mas definitivamente não me importo em repetir roupas e não cometo sacrifícios em nome da beleza; gosto de ter uma boa imagem, me sentir em forma, mas decididamente acho que o conteúdo merece muito mais investimento do que a aparência. Talvez o que me remeta diretamente ao mundo feminino seja minha mania de sapatos, mas não me relaciono bem com saltos, privilegio sempre o conforto.
Mas antes que tirem conclusões equivocadas e a despeito desse plausível equívoco celestial, gosto muito de ser mulher. Mesmo por que a mulher pode ter a objetividade masculina sem ser tão egocêntrica; pode ter a praticidade dos homens sem perder certo ar de fragilidade; pode ter o foco masculino sem perder a visão periférica. Gosto da definição de Adélia Prado, “mulher é desdobrável”, eu também sou. Talvez seja essa a melhor de nossas características.
Mulheres são de Vênus, Homens são de Marte, será? Acho que fico com o meio do caminho, sou Terráquea de carteirinha!
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