Outro dia vi uma cena que me emocionou. Nada extraordinário, mas exatamente por isso chamou minha atenção. O emocionante, o bonito, a poesia da vida está logo ali, ao nosso alcance. Pois bem, vamos à cena: um casal de namorados, ela correndo e sorrindo, ele de bicicleta e sorrindo; ela corre dele, mas corre pra ele; ele acelera em sua direção, a ultrapassa, larga a bicicleta e a pega em um abraço; os dois riem feito duas crianças; se beijam. Nada a desejar pra uma cena de novela que assistimos, nos emocionamos e voltamos à vida real deixando o encanto lá na TV.
Quando paramos para olhar ao nosso redor, saindo de vez em quando de nós mesmos, podemos nos deparar com cenas emocionantes, histórias comoventes, poemas do cotidiano que ficam escondidos na imensidão de compromissos e tarefas que nos impomos. A vida é bela e traz consigo delicadezas e sutilezas. Mas para percebê-la assim é preciso atenção e predisposição para levantar os olhos e ver além de nosso umbigo, coisa difícil nos dias de hoje. Estamos cada vez mais individualistas e, não raro, a poesia da vida alheia nos enfadonha.
Mas há encantos por toda parte, basta olhar e querer ver. Histórias de coragem e superação que nos impulsiona e diminuem nossos parcos problemas, histórias de amor delicadamente costuradas pela vida que nos adoçam um pouco a rotina e reaviva nossa esperança, caprichos do destino que nos fazem voltar o foco ao outro e nos permitem redimensionar nossas prioridades. Há encantos por toda a parte, basta olhar e querer ver!
E voltando ao casal de namorados, aquela cena me encantou por ser pura, espontânea, verdadeira, e simples! Demonstração pura de carinho, paixão, felicidade. Tão banal e, por isso, tão linda, tão inspiradora e lírica! Provavelmente já esquecida de seus protagonistas, tão jovens e intensos, eternizo-a aqui, emoldurada nesse porta-retratos de minhas lembranças.
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