Dia 15 de outubro comemoramos o dia do professor. Mas vou começar falando de uma aluna. Malala Yousafzai nasceu bem longe daqui, no Vale do Swat, no Paquistão. Filha de um professor e dono de escola, Malala se tornou símbolo mundial da luta pela educação das mulheres naquele país dominado pela ignorância fundamentalista talibã. Foi baleada na cabeça aos 15 anos de idade por querer ir á escola, e mesmo depois de ser reconhecida por sua luta no mundo inteiro, continua jurada de morte por seus algozes tresloucados.
Claro que essa menina, hoje exilada com a família na Inglaterra, tem suas convicções e é merecedora de todos os prêmios e reverências que o mundo vem lhe oferecendo. Mas todo seu potencial intelectual, social e agora político talvez tivesse ficado adormecido se não fosse seu pai, professor, que viu na filha a discípula que poderia multiplicar seu conhecimento e suas ideias. Quase a perdeu com três covardes tiros, mas a menina estava predestinada, sobreviveu e gritou para o mundo. Hoje ela tem ideias próprias e sonha ser primeira-ministra de seu triste país, mas foi um mestre que primeiro acreditou nela e a fez ser quem é.
E aqui no Brasil ou em qualquer outro lugar não é diferente. São os mestres que fazem todo profissional ser quem é. E por isso merecem reverências. Que me perdoem os médicos, geneticistas, físicos, astronautas, presidentes. Os mestres estão na base dessa pirâmide, são fundamentais e essenciais. São os professores que fazem o milagre da alfabetização! Sempre digo que professores alfabetizadores são privilegiados, pois ao final do período letivo colhem os frutos de seu trabalho concretamente. São os professores que, ao longo de sua carreira, inspiram, encantam, tornam-se modelos, exemplos, referências de centenas de crianças e jovens. Marcam a vida de seus pupilos de uma maneira definitiva, para o bem ou para o mal, daí a grande responsabilidade que levam. Quem de nós não carrega lembranças de algum professor?
Faço parte dessa turma orgulhosamente e insisto em repetir que foi por escolha, nunca por falta dela. Sou filha de mãe professora e sobrinha de professor. Sempre acompanhei as agruras vividas pela classe em casa. Mas na hora de escolher, nunca tive dúvidas, a educação sempre foi a minha praia. E assim que deve ser; por escolha. Trabalhar na educação deve ser caminho, nunca atalho. Viver a educação tem que ser por inteiro, nunca em pedaços, esperando outra coisa chegar. Ser um educador demanda fé, crença, convicção, não tem como ser diferente. Não acredita, não fique.
E quando falo em crença, não estou falando em sistemas de ensino, em políticas desse ou daquele governo, em teorias e programas educacionais sejam quais forem; estes são apenas ferramentas ou obstáculos. Estou falando da crença na própria importância, na própria lida. Estou falando na consciência de que nenhum google é capaz de nos substituir, quando estamos de corpo e alma no que fazemos. Estou falando da fé no ser humano, na crença em dias melhores e num país mais justo. Ser professor é ser sonhador? Podem indagar os mais céticos ou os irreversivelmente desiludidos. Acredito que sim, respondo. Pra construir gente é preciso e urgente saber sonhar e acreditar que sonhos viram realidade. Eu creio.
Portanto, professoras e professores, nesse dia 15 de outubro, lhes desejo fé, união, coragem e orgulho de sua profissão! Confiança em suas escolhas, crença em seu trabalho, perseverança em sua luta que todos sabemos hercúlea! Acreditar, sonhar não é resignar-se no papel de vítima indefesa ou de réu que tentam nos imputar. Somos os mais importantes, lembram? Não esqueçamos jamais!
Parabéns a todos nós, professores!
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