Houve uma época em que o máximo de anonimato que conseguíamos era um inocente trote telefônico ou um bilhete para zoar algum colega de escola, sem assinatura. Tocar a campainha de alguma casa e sair correndo também era prática comum. Vez ou outra tínhamos notícias de cartas escritas com letras recortadas de jornal, mas era raro e muitas vezes a façanha fazia parte do enredo de alguma novela ou de alguma trama real com ares folhetinescos. Se quiséssemos nos manifestar a favor ou contra alguma coisa tínhamos duas opções: mostrar a cara e enfrentar o desafio ou guardar nossa opinião na esfera privada.
Pois bem, o fato é que hoje, no mundo virtual, o anonimato se tornou fácil e cômodo e se transformou num perigoso jogo, onde a suposta invisibilidade é usada contra aqueles que ousam dar a cara à tapa. Covardes! É o adjetivo mínimo que esses inominados virtuais merecem! Não respeito quem não tem coragem de dizer o que pensa, de emitir opiniões, seja quais forem. Comentários anônimos, perfis falsos, rostos cobertos, só indicam que nem mesmo o autor é capaz de se sustentar em seus atos ou palavras. Tanto é verdade que, geralmente, esses vis cidadãos, contestam atitudes e posturas públicas, com ofensas pessoais, vandalismo e discursos completamente vazios.
Costumo sempre dizer aos meus filhos e alunos que para ser rebelde e contestador, é preciso saber do que se fala. É preciso argumentos, fundamentação, conhecimento de causa. Conheça, se informe, estude primeiro o assunto, depois se posicione e tenha como defender sua opinião. O debate de ideias é a forma mais rica de se chegar a um consenso. Adversários podem e devem conviver pacificamente. “Toda unanimidade é burra”, já dizia Nelson Rodrigues. Se não concorda, tudo bem, vamos conversar? Respeito é bom e todo mundo exige, mas não custa lembrar que a sua liberdade de expressão só será respeitada se carregar a sua assinatura. Atos e palavras sem rosto e sem nome não merecem crédito. E em casos abusivos merecem a polícia.
Portanto Senhor anônimo, se puder, arme-se de coragem e diga a que veio. E tome cuidado com o que diz ou faz. Talvez você não esteja tão escondido como supõe!
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